A inteligência artificial (IA) deixou de ser um tema de curiosidade tecnológica para se tornar uma prioridade estratégica nas empresas brasileiras. No entanto, a questão central que emerge entre as lideranças corporativas não é mais sobre se devem adotar a IA, mas sim para quê. Essa mudança de perspectiva é o foco da quarta edição do Insi DXi, pesquisa realizada pela Insi em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC), que visa mapear os objetivos, prioridades e expectativas das organizações em relação à aplicação estratégica da IA.
O estudo, lançado em 6 de outubro, com o tema “A intencionalidade da Inteligência Artificial nas empresas”, busca deslocar o debate da simples adoção da tecnologia para sua aplicação estratégica. Segundo Hugo Tadeu, professor e diretor do Núcleo de Inovação, IA e Tecnologias Digitais da FDC, o mercado avançou da pergunta “quantas empresas utilizam inteligência artificial?” para uma questão mais relevante: “para quais objetivos ela está sendo utilizada?”. A pesquisa pretende traçar um panorama sobre as estratégias e prioridades das lideranças brasileiras em relação à IA, além de acompanhar a evolução da maturidade digital e tecnológica das organizações.
A IA como Ferramenta Estratégica
A Insi defende que a definição de uma finalidade de negócio deve preceder a implementação da tecnologia. A avaliação da empresa é que iniciativas de IA sem objetivos claramente definidos correm o risco de permanecer restritas a projetos isolados, sem conexão com resultados corporativos tangíveis. O principal desafio da inteligência artificial nas empresas, segundo Telmo Costa, CEO da Insi, é mais organizacional do que tecnológico. Os resultados mais consistentes tendem a surgir quando a tecnologia está associada a uma intenção clara de negócio.
Nesse contexto, a pesquisa Insi DXi pretende identificar como os executivos estão relacionando a inteligência artificial à estratégia, ao crescimento e à geração de valor. O estudo também busca mapear as prioridades que orientam os investimentos e projetos relacionados à tecnologia, oferecendo um retrato da maturidade e da intencionalidade estratégica das empresas brasileiras no uso da IA.
Parceria Renova Foco em Inovação
A quarta edição do Insi DXi também marca a renovação da parceria entre Insi e Fundação Dom Cabral por mais cinco anos, estendendo-a até 2030. Este acordo consolida a realização de uma série de pesquisas focadas na evolução da maturidade digital e tecnológica das empresas brasileiras. A colaboração une a expertise da Insi em tecnologia e transformação digital com a pesquisa acadêmica e o conhecimento em gestão da FDC.
A participação ativa de CEOs e outras lideranças corporativas na coleta de dados confere à série histórica uma perspectiva diretamente ligada às decisões estratégicas das organizações. Com a continuidade dessa parceria, as instituições almejam acompanhar de perto como a inteligência artificial e outras tecnologias digitais impactam progressivamente a gestão, os modelos de negócio e as decisões corporativas no cenário brasileiro.
Implicações para o Ecossistema Brasileiro
A pesquisa aborda uma questão fundamental para o desenvolvimento econômico e tecnológico do Brasil: a capacidade das empresas em traduzir o potencial da IA em resultados concretos. Ao focar na intencionalidade, o estudo sinaliza que as organizações mais bem-sucedidas serão aquelas que integrarem a IA de forma alinhada aos seus objetivos estratégicos, promovendo inovação e competitividade.
A renovação da parceria FDC-Insi até 2030 reforça o compromisso em monitorar essa evolução, fornecendo insights valiosos para lideranças empresariais, formuladores de políticas públicas e o ecossistema de inovação como um todo. A compreensão dos objetivos por trás da adoção da IA é crucial para direcionar investimentos, desenvolver talentos e garantir que a tecnologia seja uma força motriz para o crescimento sustentável.
Perguntas em Aberto
Embora a pesquisa aponte para uma clara mudança de foco na adoção da IA, ainda restam questões sobre a profundidade dessa integração estratégica. Será que as empresas brasileiras possuem a capacidade organizacional e os talentos necessários para extrair o máximo valor da inteligência artificial, ou os desafios de implementação continuarão a limitar seu potencial?
O Insi DXi, ao focar na intencionalidade, abre um novo capítulo no debate sobre IA no Brasil. Acompanhar os resultados desta e das futuras edições será fundamental para entender a trajetória das empresas brasileiras na jornada da transformação digital e na capitalização das oportunidades que a inteligência artificial oferece.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · TIInside





