A farmacêutica EMS obteve o registro do Ozivy junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), tornando-se a primeira empresa a ter um biossimilar de semaglutida aprovado no Brasil após a expiração da patente da marca de referência, ocorrida no final de março, segundo informações do Money Times. O anúncio marca o início de uma nova fase para o mercado brasileiro de medicamentos voltados ao tratamento de obesidade e diabetes tipo 2.
Segundo analistas do Santander, esta aprovação é um passo fundamental para a introdução de alternativas de medicamentos da classe GLP-1 no país. A expectativa é que a chegada de biossimilares impulsione o volume de vendas no setor farmacêutico, ainda que o impacto financeiro nas empresas listadas na B3 deva ocorrer de forma gradual, conforme a disponibilidade de estoques e novas aprovações regulatórias.
O impacto na Hypera e o cenário de biossimilares
A entrada da EMS no segmento de semaglutida coloca em evidência a Hypera, que possui produtos com o mesmo princípio ativo sob análise na Anvisa. A leitura do mercado financeiro é que, embora a semaglutida represente um vetor de crescimento, ela não deve ser considerada uma transformação estrutural completa para a companhia. A projeção de analistas do Santander aponta para uma contribuição incremental de Ebitda para a Hypera na casa de 3% a 4% entre 2027 e 2028.
A dinâmica competitiva, contudo, é o fator principal de atenção. Com seis produtos de semaglutida ainda em análise regulatória na Anvisa, a expectativa é que a concorrência se intensifique no médio prazo. A estratégia das empresas parece focar na captura de margens elevadas, características desta categoria de medicamentos, por meio de uma precificação mais competitiva em comparação ao produto original, visando ampliar a base de pacientes prescritos.
Dinâmica de volume e margens nas redes de farmácias
Para as redes de varejo farmacêutico, como a RD Saúde e a Pague Menos, a chegada de alternativas ao Ozempic é vista como um catalisador positivo. A tese central é que a redução de preços, possibilitada pela concorrência, deve aumentar o volume de vendas, alterando o mix de produtos e favorecendo a rentabilidade operacional das redes ao longo do segundo semestre de 2026.
Apesar da perspectiva otimista dos analistas, o mercado financeiro reagiu com cautela no período do anúncio, segundo o Money Times. A aversão ao risco doméstico teria pressionado as ações do setor, refletindo um ambiente macroeconômico que muitas vezes prioriza a volatilidade de curto prazo em detrimento de movimentos estruturais de longo prazo. O desafio para as farmácias será gerir a transição do mix de produtos à medida que novos fabricantes entrarem no mercado.
Desafios regulatórios e competitivos
A velocidade com que a Anvisa processará os pedidos pendentes definirá o ritmo da expansão do mercado de semaglutida no Brasil. A incerteza quanto à celeridade desses registros permanece como o principal ponto de atenção para investidores e concorrentes. Além disso, a capacidade de produção em escala para atender a uma demanda reprimida por tratamentos de emagrecimento será o diferencial competitivo para as empresas que obtiverem as próximas aprovações.
Perspectivas para o setor
O mercado brasileiro entra em um ciclo de maturação para a categoria GLP-1. A introdução de biossimilares não apenas democratiza o acesso, mas também força uma reavaliação das margens de lucro que as empresas farmacêuticas podem sustentar. O acompanhamento das próximas decisões da Anvisa será crucial para determinar se a semaglutida se tornará um motor de crescimento robusto ou apenas mais uma linha de produtos no portfólio das gigantes do setor.
O desenrolar desta competição entre EMS, Hypera e outros players definirá não apenas a rentabilidade futura das empresas envolvidas, mas também a acessibilidade desses tratamentos para a população brasileira nos próximos anos. Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





