A poeira ainda assenta nos canteiros de obras, mas a revolução silenciosa já começou. Na Engemon, essa clareza tem um nome: BIM, a sigla para Building Information Modeling. Longe de ser apenas mais um jargão tecnológico, o BIM tem se mostrado uma ferramenta poderosa para transformar a maneira como construímos, otimizando processos e, mais importante, gerando economias tangíveis.
Em um cenário onde 90,6% dos profissionais da engenharia relatam desvios recorrentes de prazo e orçamento — dado levantado pelo Confea —, a Engemon apresenta um caso de sucesso que ressoa com os anseios do setor. A aplicação do BIM em seus projetos resultou em uma economia direta de R$ 1,3 milhão e na antecipação de aproximadamente 15 mil interferências entre diferentes disciplinas de engenharia. Esses números não são apenas estatísticas; representam a materialização de um planejamento mais preciso e a prevenção de custos desnecessários que afligem a construção brasileira.
O Canteiro Digital: Uma Nova Realidade
O que antes era um processo fragmentado, com pranchas de papel e planilhas de cálculo, hoje ganha vida em modelos digitais tridimensionais. O BIM permite que arquitetura, estruturas, instalações elétricas, hidráulicas e todas as demais áreas de um empreendimento coexistam e interajam em um ambiente virtual antes mesmo que as primeiras fundações sejam lançadas. É nesse espaço digital que conflitos potenciais são identificados e resolvidos, evitando que se tornem problemas caros e demorados no canteiro de obras.
A Engemon exemplifica isso ao relatar que cerca de R$ 900 mil em economia vieram da reengenharia da estrutura metálica e outros R$ 400 mil da otimização do projeto de luminárias, totalizando um ganho direto de 5,2% do valor do contrato. Esses resultados superam a mera visualização 3D; são a prova de que a tecnologia, quando bem aplicada, gera valor concreto.
Da Compatibilização à Precisão nos Quantitativos
Um dos maiores trunfos do BIM reside na compatibilização de projetos. Descobrir no meio da obra que uma tubulação hidráulica colide com uma viga de concreto é um cenário de pesadelo que o BIM ajuda a evitar. A metodologia permite que os engenheiros visualizem e corrijam essas incompatibilidades ainda na fase de projeto. Na Engemon, foram identificadas e tratadas cerca de 15 mil dessas incompatibilidades, um feito que se traduz em menos retrabalho, menos desperdício de material e menos atrasos no cronograma.
Pedro Henrique, Coordenador de Projetos da Engemon, ressalta que "o verdadeiro ganho do BIM não está apenas em visualizar uma construção em três dimensões. Ele está na capacidade de tomar decisões antes que um problema chegue à obra". Além disso, a precisão na extração de quantitativos de materiais, que antes demandava dias de trabalho manual, agora é realizada em frações desse tempo, com acurácia que chega a 98% e redução de 73% no tempo dedicado à tarefa, segundo dados da própria empresa.
A Tecnologia em Mãos Certas: Integração e Capacitação
A transformação digital na construção civil não se limita à criação de modelos complexos. Ela se consolida quando essa tecnologia chega às pessoas que tomam decisões e executam o projeto no dia a dia. A Engemon implementou um Ambiente Comum de Dados (CDE) que centraliza informações e permite que cerca de 700 usuários — entre engenheiros, projetistas e equipes de campo — acessem modelos, consultem projetos e dados técnicos de forma integrada. Essa centralização minimiza o risco de trabalhar com versões desatualizadas de documentos.
A capacitação profissional é um pilar crucial nesse processo. A Engemon investe na formação de seus colaboradores, com 11 profissionais já certificados internacionalmente pela buildingSMART e outros em processo de certificação, além de treinamentos internos para mais de 30 colaboradores. Essa abordagem garante que a tecnologia seja não apenas adotada, mas compreendida e utilizada em sua plenitude.
O Futuro da Construção: Perguntas que Permanecem
A jornada da Engemon com o BIM é um farol em meio aos desafios de digitalização da construção brasileira. A pesquisa do Confea aponta que, embora a familiaridade com o BIM seja alta, a experimentação concreta ainda é limitada para muitos. A questão que paira no ar é: como replicar esse sucesso em larga escala?
A Engemon demonstra que a chave está na integração de informações, na padronização de processos e, sobretudo, na capacitação das equipes. O caminho para uma construção mais eficiente, econômica e sustentável parece pavimentado pela tecnologia — mas a velocidade e a profundidade dessa travessia dependerão da capacidade do setor em abraçar e implementar essas ferramentas de forma estratégica e humanizada.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · TIInside





