A CEOE, a Associação de Mulheres Empresárias Ibero-americanas (AMEIB) e a organização Mulheres Industriais e Empresariais do Peru (MISUR Peru) inauguraram em Madrid o I Foro de Mipymes e Mulheres Peruanas Empresárias. O evento, realizado com o apoio da Embaixada do Peru, focou nos desafios das pequenas e médias empresas para a geração de emprego e a coesão social, destacando a necessidade de políticas bilaterais mais eficientes.

Durante o encontro, autoridades como Maria Jesús Fernández, da Secretaria de Estado de Comércio da Espanha, e Marta Blázquez, vice-presidente da Cepyme, enfatizaram que a baixa presença feminina no topo da exportação não reflete falta de capacidade, mas sim a existência de obstáculos sistêmicos. O evento serviu como palco para discutir o 'Modelo 4T', que propõe diretrizes para o desenvolvimento de talento e a transformação digital.

O desafio da internacionalização

A discussão sobre a internacionalização de empresas lideradas por mulheres revela uma disparidade persistente. Segundo dados apresentados, apenas 14% das empresas exportadoras espanholas são comandadas por mulheres. O diagnóstico aponta que a ausência de redes de contato robustas e a dificuldade de acesso a mecanismos financeiros específicos são os principais entraves. A iniciativa busca integrar a perspectiva de gênero em instrumentos de fomento como o Fiem, Cesce e Cofides.

O papel da diplomacia econômica

O diplomata Marcos Alvarado, da Embaixada peruana, ressaltou que a diplomacia deve atuar como uma ferramenta prática de aproximação entre o tecido empresarial dos dois países. A ideia é que a colaboração não seja apenas pontual, mas que se transforme em uma estrutura estável. O foco reside em converter o talento empreendedor local em crescimento econômico e bem-estar compartilhado, reduzindo a dependência de modelos de negócio tradicionais.

Perspectivas para a economia real

As PMEs são frequentemente descritas como a espinha dorsal da economia real, sustentando a maior parte do emprego tanto na Espanha quanto na Ibero-América. A proposta de criar sociedades mais inclusivas passa, necessariamente, pelo fortalecimento da liderança feminina. O sucesso dessa aliança dependerá da capacidade de transformar o discurso em políticas de crédito e suporte técnico que alcancem as empresas na ponta.

O futuro da cooperação bilateral

Permanecem em aberto questões sobre a efetividade dos mecanismos de apoio propostos para além do ambiente diplomático. O monitoramento dos resultados práticos do 'Modelo 4T' será fundamental para avaliar se a colaboração entre Espanha e Peru conseguirá, de fato, reduzir as desigualdades no acesso a mercados globais. O setor privado aguarda sinais concretos de desburocratização.

A iniciativa reflete uma tendência crescente de cooperação entre economias ibero-americanas que buscam fortalecer suas bases produtivas diante de um cenário global de incertezas. A integração de gênero no centro da agenda comercial sugere que o crescimento futuro será condicionado pela capacidade de democratizar o acesso ao capital e à inovação para todos os atores do ecossistema.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España