A Espanha se estabeleceu como o principal ponto de partida global para empresas estrangeiras que buscam investir na América Latina. Segundo um relatório do Conselho Empresarial Aliança por Iberoamérica (Ceapi), em colaboração com a Universidade Complutense de Madrid, o país ibérico funciona como um 'trampolim' estratégico, facilitando o acesso e a operação de negócios na região.
O estudo, intitulado ‘El uso de trampolines en la inversión extranjera del mundo hacia América Latina: El papel de España’, aponta que 744 empresas matrizes estrangeiras utilizaram a Espanha como plataforma para direcionar 1.081 filiais para a América Latina. Essa dinâmica sublinha o papel da economia espanhola como um 'hub' ou nó estratégico, canalizando investimentos de diversas origens, incluindo Europa, Estados Unidos, Ásia e até mesmo da própria América Latina, fortalecendo a integração do espaço ibero-americano.
Um Hub Estratégico e Cultural
O relatório detalha que 59,9% das empresas matrizes que utilizam a Espanha como plataforma são sediadas na Europa, seguidas por 21,1% dos Estados Unidos e Canadá. A análise destaca que a Espanha não se limita a ser um mero canal de capital, mas também oferece uma ponte cultural e organizacional. As empresas espanholas desempenham um papel crucial na adaptação das práticas de negócios à realidade latino-americana, atuando como coordenadoras de conexões regionais para grupos multinacionais.
Isabel Álvares, catedrática de Economia Aplicada da Universidade Complutense, ressalta que a Espanha oferece vantagens significativas, como a menor 'distância psicológica', acordos de dupla tributação, o 'guarda-chuva jurídico' da União Europeia e custos de financiamento de capital mais baixos. Esses fatores combinados tornam o investimento através da Espanha uma opção vantajosa para empresas que buscam expandir suas operações na América Latina.
Espanha no Cenário Global de Investimentos
O estudo quantifica a presença global de empresas na América Latina em 26.784 matrizes e 79.650 filiais. Nesse contexto, a Espanha ocupa uma posição de destaque, concentrando 10,43% das matrizes (2.794) e 11% das filiais (7.323). Em termos de filiais, a Espanha figura em segundo lugar, atrás apenas dos Estados Unidos (10.881 filiais), mas à frente de países como Itália, França, Alemanha, Japão e Reino Unido. Essa consolidação reforça a importância estratégica da Espanha no fluxo de investimentos internacionais para a região.
A América Latina, por sua vez, é uma região receptora líquida de investimentos, tendo recebido US$ 2,856 trilhões em 2024. Contudo, seu peso no total mundial diminuiu de 7% para 5% entre 2010 e 2024. O setor de serviços absorve a maior parte dos investimentos (55%), seguido pelo industrial (27%), com variações significativas entre os países receptores.
Implicações para o Futuro e o Brasil
O relatório da Ceapi sugere que o papel da Espanha como 'hub' pode ser ainda mais fortalecido no futuro. Acordos como o UE-Mercosul e a renovação do tratado UE-México podem abrir novas oportunidades de negócio, solidificando a posição da Espanha como um elo crucial entre a Europa e a América Latina. Países como Panamá e Uruguai também emergem como 'hubs' de entrada, a exemplo de Luxemburgo na Europa.
Para o Brasil, que representa 19,2% dos investimentos canalizados pela Espanha, a dinâmica sugere a continuidade de um fluxo importante de capital e expertise. A presidente da Ceapi, Núria Vilanova, aponta que o atrativo de economias como a brasileira é proporcional ao tamanho de seus mercados, indicando um potencial de crescimento contínuo para os investimentos estrangeiros.
Investimentos Espanhóis na América Latina
Paralelamente ao papel de 'trampolim', o 'stock' de investimentos espanhóis na América Latina atingiu US$ 229 bilhões em 2024, mostrando-se mais ativo do que nunca. Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e México concentram 83,4% desse total. O número de empresas com capital espanhol superior a 50% mais que quadruplicou na última década, de 2.330 em 2014 para 10.811 em 2024. A América Latina tem recebido cerca de 40% do investimento estrangeiro direto (IED) anual espanhol e mais de 30% dos investimentos no exterior desde 2013, justificando o termo "multilatinas" para descrever essas empresas.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





