Uma equipe espanhola de alpinistas alcançou o cume do Jugal II, um pico de 6.518 metros na fronteira entre Nepal e Tibete, após uma ascensão desafiadora em estilo alpino. Mikel Zabalza, Ruben Perez e Mikel Saez de Urabain completaram a primeira ascensão documentada da montanha, utilizando uma rota de 2.000 metros pela face sudeste. A expedição, realizada em outubro de 2026, destacou-se não apenas pela dificuldade técnica, mas também pela colaboração inesperada com alpinistas italianos.

A conquista do Jugal II, que abriu para escaladas em 2023, exigiu meses de estudo e preparação por parte dos espanhóis. Eles enfrentaram terreno misto vertical e rochas de qualidade duvidosa, com seções classificadas como M5 e trechos ainda mais difíceis, até atingirem aproximadamente 6.450 metros. A parte final até o cume consistiu em uma inclinação de neve de 55 a 60 graus. A equipe realizou três acampamentos na rota, com os locais de pernoite sendo descritos como precários, necessitando do uso de lonas para ampliar o espaço disponível.

Estilo Alpino: Autossuficiência como Filosofia

A escalada em estilo alpino, caracterizada pela autossuficiência e progressão rápida, representa um dos pilares do alpinismo moderno. Ao contrário das expedições de cerco — que utilizam múltiplos acampamentos fixos e cordas esticadas —, o estilo alpino exige que os escaladores carreguem todo o equipamento necessário em um único esforço contínuo. Essa abordagem minimiza o tempo de exposição a riscos e o impacto ambiental, mas demanda preparo físico, técnico e mental excepcionais.

Os espanhóis demonstraram maestria nesse estilo, estudando a rota por meses e executando uma estratégia ágil. A velocidade foi crucial nas seções de rampas íngremes com neve instável, e a capacidade de adaptação definiu o sucesso da empreitada.

Cooperação em Meio a Imprevistos

A expedição espanhola teve um encontro fortuito com os renomados alpinistas italianos Nives Meroi e Romano Benet. O casal havia planejado escalar outro pico na região, mas inundações bloquearam o acesso à montanha original, forçando uma mudança de planos de última hora. Sem informações prévias sobre as condições do Jugal II, Meroi e Benet abordaram a rota de forma mais improvisada. Um terceiro membro da equipe italiana precisou abandonar a expedição por motivos de saúde.

Sem qualquer espírito de competição, as duas equipes decidiram unir forças para o ataque ao cume. Essa colaboração exemplifica a camaradagem que pode surgir em ambientes extremos, onde o objetivo comum de alcançar o topo transcende as nacionalidades. A experiência compartilhada resultou em novas amizades e na promessa de futuras aventuras conjuntas.

Implicações para o Alpinismo

A ascensão do Jugal II e a colaboração entre as equipes espanhola e italiana ressaltam a resiliência e o espírito de cooperação no montanhismo de alta performance. Para os espanhóis, o sucesso valida a importância da preparação meticulosa em um dos formatos mais exigentes do esporte. Para Meroi e Benet, a adaptação a um novo objetivo em meio a adversidades demonstra a flexibilidade necessária para enfrentar os desafios imprevisíveis das grandes montanhas.

O caso também sublinha a abertura recente de novos picos no Nepal para escalada, incentivando a exploração de rotas menos conhecidas. A capacidade de adaptação a condições adversas e a infraestrutura limitada — como a ausência de locais adequados para acampamento — são fatores críticos que definem o sucesso em expedições como esta.

A expedição ao Jugal II, marcada pela conquista de um cume inédito e pela união de alpinistas de diferentes nações, encapsula a essência do montanhismo de aventura: a busca por desafios, a superação de limites e a criação de laços humanos em meio à grandiosidade da natureza.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · ExplorersWeb