O setor de etanol de milho no Brasil, que multiplicou sua produção na última década, agora se volta para a identificação de novas avenidas de crescimento. Amaury Pekelman, presidente da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), aponta que a expansão futura não se limitará ao consumo em postos de combustível. Novos mercados, especialmente o de transporte marítimo, despontam como vetores de crescimento mais rápido para a indústria de biocombustíveis.
A crescente pressão global pela redução das emissões de carbono no setor naval confere ao etanol um papel estratégico. Empresas como Copersucar e Inpasa já estão ativamente envolvidas em esforços para obter certificações internacionais e construir demanda junto à indústria marítima, sinalizando um futuro promissor para o biocombustível nesse segmento.
Outra fronteira em análise é o combustível sustentável de aviação (SAF). A Unem, contudo, adota uma postura mais cautelosa em relação a esta aplicação. Pekelman ressalta que o custo da rota Alcohol-to-Jet (ATJ), que demanda um volume considerável de etanol, ainda é proibitivo para uma adoção em larga escala, embora a tecnologia permaneça no radar da indústria.
Inovação e Liderança na Produção
No cenário de inovação em etanol de milho, Pekelman destaca a FS e a Inpasa como líderes em plantas standalone, que se dedicam exclusivamente à produção deste biocombustível. Essas empresas estão na vanguarda da adoção de novas tecnologias, impulsionando a eficiência e a capacidade produtiva do setor.
Paralelamente, no segmento de usinas flex — que integram a produção de etanol a partir de cana-de-açúcar e milho —, a São Martinho e a Cerradinho emergem como referências. Segundo Pekelman, essas companhias exemplificam um modelo industrial robusto, que otimiza a infraestrutura existente da cana para permitir a produção contínua ao longo do ano, utilizando o milho como matéria-prima complementar. Esse modelo de integração é fundamental para a sustentabilidade e competitividade a longo prazo.
Expansão da Participação na Matriz Energética
A expectativa da Unem é que o etanol de milho consolide sua participação na matriz energética brasileira. Atualmente, representa cerca de 25% a 30% da produção nacional de etanol. A projeção é que, em uma década, essa fatia possa alcançar aproximadamente 45%.
Essa meta ambiciosa é sustentada por três pilares principais: o aumento das misturas obrigatórias de etanol na gasolina, a expansão da demanda doméstica — incentivada por políticas de descarbonização e pela busca por combustíveis mais limpos — e, crucialmente, a abertura de novos mercados internacionais, com destaque para o setor marítimo.
Desafios e Oportunidades Futuras
A consolidação do etanol de milho como um biocombustível de larga escala, tanto no mercado doméstico quanto internacional, depende de avanços contínuos em tecnologia e de um ambiente regulatório favorável. A viabilização de certificações internacionais para o uso em transporte marítimo e a redução dos custos de produção para o SAF são desafios que moldarão o futuro do setor.
A capacidade das empresas em inovar e adaptar seus modelos de negócios, como a integração entre cana e milho, será determinante para que o Brasil reforce sua posição como líder global em biocombustíveis. A transição energética global oferece uma janela de oportunidade única, mas que exige investimentos e visão estratégica.
O caminho para o etanol de milho se consolidar como um protagonista na matriz energética brasileira e global é promissor, mas repleto de desafios tecnológicos e de mercado. A diversificação de aplicações e a busca por eficiência produtiva serão as chaves para destravar todo o potencial deste biocombustível nas próximas décadas.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





