O Itaú BBA divulgou suas expectativas para os resultados do 4T26 da São Martinho, com a expectativa de que o etanol atue como o principal motor de sustentação operacional para a companhia. Segundo o banco, a receita líquida consolidada deve atingir aproximadamente R$ 2,3 bilhões, acompanhada de um EBITDA de R$ 1,07 bilhão.

Este desempenho é aguardado com atenção pelo mercado, dado que o trimestre marca o encerramento do calendário de safra, sem atividades de moagem. A tese central é que a comercialização estratégica dos estoques acumulados ao longo do ano será determinante para compensar a pressão negativa sobre o açúcar.

Dinâmica de estoques e sazonalidade

O cenário operacional da São Martinho no 4T26 reflete uma estratégia de escoamento de estoques, visto que a ausência de moagem no período exige uma gestão eficiente dos volumes produzidos anteriormente. Cerca de 40% do volume de etanol da safra está concentrado nesta janela, tornando a comercialização o fator crítico para a receita.

Embora dados da Esalq/USP apontem uma alta de 6% nos preços do etanol na comparação anual, o movimento sequencial de declínio sazonal impõe desafios. A leitura aqui é que, mesmo com a demanda resiliente, a empresa precisa navegar entre as variações de preços das commodities e a valorização recente do real, que impacta diretamente a competitividade das exportações de açúcar.

Pressão no açúcar e o cenário macro

O setor sucroenergético enfrenta um momento de cautela, com os preços do açúcar negociados abaixo do custo caixa da indústria. Essa compressão de margens força os produtores a ajustarem o mix de produção em favor do etanol, uma tentativa de mitigar as perdas causadas pelo cenário internacional de preços baixos.

Além da commodity, a menor probabilidade de reajustes imediatos no preço da gasolina, influenciada pela política de isenções tributárias, reduz o otimismo que anteriormente sustentava o setor. Essa conjuntura sugere uma resposta mais lenta do mercado, com preços de commodities permanecendo sob pressão por um período prolongado.

Implicações para a safra 2026/27

Para além dos números do trimestre, o foco dos investidores se desloca para as perspectivas da safra 2026/27. A companhia deve enfrentar variáveis complexas, como os impactos climáticos associados ao El Niño e a volatilidade persistente nos custos de fertilizantes.

O ganho de eficiência operacional, derivado da diluição de custos por meio de maior produtividade agrícola, será o principal diferencial para a São Martinho. A capacidade de manter a disciplina financeira em um ambiente de custos de insumos instáveis definirá a margem de manobra da empresa frente aos seus concorrentes diretos.

Incertezas e o futuro imediato

O que permanece em aberto é a velocidade com que o mercado de açúcar poderá se reequilibrar e se a estratégia de mix de produção será suficiente para neutralizar a volatilidade cambial. A sustentabilidade dos preços do etanol, dada a sazonalidade, será o indicador fundamental a ser observado nas próximas divulgações.

A posição do BBA, com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 31, reflete uma confiança na resiliência da São Martinho, mas o mercado aguarda os detalhes operacionais para confirmar se a tese de eficiência compensará as adversidades macroeconômicas.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times