O frenesi em torno da infraestrutura de inteligência artificial continua a encontrar novos veículos no mercado financeiro. O Roundhill Memory ETF, um fundo de índice focado no setor de chips de memória e negociado sob o ticker DRAM, atingiu uma avaliação de US$ 10 bilhões no menor intervalo de tempo já registrado para um ativo do tipo, segundo reportagem do Financial Times.

Lançado em abril, o fundo registrou uma valorização de 87% em seus primeiros 50 dias de negociação. O marco reflete uma expansão do interesse de investidores, que começam a olhar além das fabricantes de unidades de processamento gráfico (GPUs) para focar nos componentes de memória essenciais para o treinamento e a operação de grandes modelos de linguagem.

A expansão da tese de infraestrutura

A ascensão meteórica do ETF da Roundhill, uma gestora conhecida por fundos temáticos, ilustra uma segunda fase na corrida de capital em direção à inteligência artificial. Enquanto o primeiro momento foi dominado por empresas que desenham os processadores centrais da revolução da IA, a atenção agora se volta para os gargalos adjacentes. Chips de memória de alta largura de banda são fundamentais para alimentar as GPUs com dados em velocidades extremas, tornando-se um componente crítico na arquitetura dos data centers modernos.

O desempenho do fundo DRAM sugere que o mercado está precificando um ciclo prolongado de investimentos em hardware por parte das grandes empresas de tecnologia. Embora a marca de US$ 10 bilhões em 50 dias seja um sinal de forte convicção, ela também levanta questões sobre a concentração de capital em teses temáticas de nicho e a volatilidade inerente a ativos que surfam ondas de adoção tecnológica em estágios iniciais.

A sustentabilidade dessa valorização dependerá da capacidade da cadeia de suprimentos de semicondutores de entregar os volumes exigidos pelos provedores de nuvem nos próximos trimestres. O movimento do ETF serve como um termômetro para o apetite de risco institucional, testando os limites de quanto capital a tese de infraestrutura de IA consegue absorver no curto prazo.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Financial Times Technology