As forças armadas dos Estados Unidos e das Filipinas realizaram recentemente o exercício Balikatan 2026, uma manobra de grande escala que reuniu mais de 17 mil militares. O foco central do treinamento foi a simulação da defesa do território filipino contra uma invasão anfíbia, utilizando um arsenal diversificado que incluiu mísseis, drones e sistemas de guerra eletrônica.
Segundo o Comando do Indo-Pacífico dos EUA, a operação serviu como um ensaio multinacional para a defesa em um ambiente de segurança considerado perigoso. O exercício demonstrou a capacidade de integrar sensores e sistemas de tiro em tempo real, refletindo as lições aprendidas em conflitos recentes, como a guerra na Ucrânia, onde o uso de drones e defesas costeiras moldou o campo de batalha.
A nova doutrina de defesa costeira
O conceito tático explorado durante o Balikatan, denominado "Littoral Deep Battle", busca integrar mísseis de longo alcance com a vigilância por drones para negar o acesso inimigo a águas estratégicas. A estratégia desenha um cenário onde a defesa não depende apenas de navios de guerra, mas de uma rede dispersa de lançadores móveis terrestres capazes de atingir alvos navais a centenas de quilômetros de distância.
A movimentação reflete uma mudança estrutural na forma como os EUA e seus parceiros planejam a defesa da primeira cadeia de ilhas no Pacífico. Ao descentralizar a capacidade de ataque, as forças aliadas tentam complicar os cálculos de um adversário que precise realizar um desembarque anfíbio, transformando o litoral em uma zona de alta letalidade.
Tecnologia e interoperabilidade
Um dos marcos do exercício foi o primeiro lançamento internacional do sistema Typhon pelo Exército dos EUA, disparando um míssil Tomahawk contra um alvo a aproximadamente 390 milhas de distância. Além disso, o Japão utilizou seus sistemas de mísseis antinavio Type-88 fora de seu território pela primeira vez, evidenciando uma integração logística e operacional sem precedentes entre as nações aliadas.
A guerra eletrônica operou como uma camada invisível, mas decisiva, garantindo que os ataques fossem sincronizados e precisos. A implementação de uma rede de comando e controle unificada permitiu que diferentes forças, cada uma com seus próprios protocolos e equipamentos, pudessem compartilhar dados de alvos e coordenar ações de defesa em um teatro de operações complexo.
Implicações para o equilíbrio regional
Para os reguladores e observadores geopolíticos, a escala do Balikatan envia um sinal claro sobre a preparação para um conflito de alta intensidade. A presença de ativos americanos, como aeronaves P-8 Poseidon e drones MQ-9, ao lado de defesas costeiras locais, demonstra um compromisso renovado com a segurança coletiva na região, que enfrenta tensões crescentes com o aumento da presença naval chinesa.
O uso de tecnologias de baixo custo, como drones impressos em 3D e sistemas de visão em primeira pessoa, sugere que as forças armadas estão se preparando para um cenário de atrito onde a reposição rápida de equipamentos será fundamental. A capacidade de manter a logística operacional sob pressão de supply chains globais tensionadas tornou-se um pilar central desse novo planejamento estratégico.
O futuro da dissuasão no Pacífico
A eficácia dessa rede de defesa dispersa ainda enfrenta desafios operacionais, especialmente no que diz respeito à sustentabilidade de longo prazo em condições de combate real. A integração de sistemas tão distintos exige uma manutenção constante da interoperabilidade, um esforço que deve ser testado repetidamente em futuros exercícios.
A forma como Pequim responderá a esse aumento de capacidade e à mobilização de ativos aliados permanece como a principal incógnita para a estabilidade regional. O foco agora se volta para a capacidade de manter esse nível de prontidão sem elevar inadvertidamente o risco de um confronto direto, enquanto as alianças no Pacífico continuam a se consolidar. Com reportagem de Brazil Valley
Source · Business Insider





