O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, chegou à reunião de ministros das finanças do G20, em Asheville, com uma missão clara: angariar apoio internacional para intensificar a pressão econômica sobre o Irã. A ofensiva, batizada de “Operação Pária Econômico”, visa forçar o regime iraniano a ceder em um conflito que já dura seis meses.
A estratégia de Washington, no entanto, expõe uma contradição central. Ao mesmo tempo em que busca uma coalizão para aplicar o que Bessent descreveu como “violência financeira”, a administração americana mantém uma política comercial agressiva, com tarifas impostas a aliados importantes, como o Canadá. A leitura é que essa diplomacia de duas vias — uma mão estendida para pedir ajuda, outra fechada para impor barreiras — arrisca minar o próprio esforço de isolar Teerã.
A doutrina da 'violência financeira'
A retórica de Bessent é dura. Em entrevista à Associated Press, citada pela Fast Company, ele afirmou que a economia iraniana pode colapsar em “semanas ou meses” e que o governo está preparado para usar a força econômica para que o regime “caia em si”. Segundo ele, a União Europeia ofereceu “apoio integral” aos esforços de sanção, mas o cenário é mais complexo do que as declarações oficiais sugerem.
O problema fundamental para os EUA é que a eficácia das sanções depende de uma frente unida. Daniel Fried, um ex-secretário de Estado adjunto, aponta que Washington pode “ter dificuldade em reunir seus amigos e aliados habituais” nas atuais circunstâncias. A crítica implícita é que não se pode perturbar a ordem comercial global com uma mão e esperar cooperação incondicional com a outra. A falta de consulta prévia com parceiros, segundo Fried, agrava o quadro.
O fator China e o custo da aliança
O maior desafio para a estratégia americana atende pelo nome de China, o principal comprador do petróleo iraniano. Bessent garante que “todas as opções estão na mesa” para sancionar Pequim por continuar suas compras, rejeitando a narrativa de que a Casa Branca estaria relutante em confrontar o gigante asiático. No entanto, qualquer movimento nesse sentido escalaria ainda mais as tensões comerciais globais.
Enquanto isso, o pano de fundo do G20 é de incerteza. O ministro das finanças da França, Roland Lescure, comparou a economia mundial ao tempo em Asheville: “imprevisível e enevoado”. A agenda americana para o encontro inclui discussões sobre crescimento, desregulamentação e o endividamento global. A escolha da cidade, devastada por um furacão e reconstruída, foi pensada para ser um símbolo de resiliência.
A questão que paira sobre o encontro, contudo, é se os aliados dos EUA veem o país como um pilar de reconstrução ou como uma fonte adicional de instabilidade. A diplomacia da Casa Branca aposta que é possível separar a cooperação geopolítica contra o Irã das disputas comerciais, mas o G20 será o primeiro grande teste para validar se essa separação é, de fato, viável.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Fast Company





