A filantropia vive um momento de holofotes, muitas vezes centrado em bilionários. Eva Longoria, porém, sustenta outra narrativa. Em entrevista à Fortune, a atriz afirmou: "Um dos maiores equívocos sobre filantropia é que o impacto está atrelado à riqueza ou à escala, quando, na realidade, o impacto vem de muitas formas". Para ela, o que mais importa é a participação ativa: estar presente, compartilhar conhecimento e construir redes de apoio.
Essa visão ganhou novo fôlego após Longoria ser agraciada por Jeff Bezos com o Courage and Civility Award, prêmio de US$ 100 milhões que reconhece indivíduos com contribuições significativas para a sociedade. Ela recebeu a distinção ao lado do almirante aposentado William McRaven, conhecido por comandar a operação que resultou na morte de Osama bin Laden. "Receber esse apoio foi incrivelmente significativo, não apenas pela escala do presente, mas porque representou confiança e responsabilidade", disse a atriz à Fortune, destacando que se tornou mais intencional e estratégica em seu ativismo.
O Courage and Civility Award foi lançado em 2021 por Bezos e sua noiva, Lauren Sánchez. Entre os homenageados de anos anteriores estão Van Jones, o chef José Andrés e Dolly Parton — todos com liberdade para direcionar os recursos a causas de sua escolha.
A mensagem que Longoria enfatiza é a de uma filantropia em escala humana. "Mentorizar alguém, apoiar pequenos negócios, compartilhar o que você sabe – essas coisas importam porque nem todo mundo tem acesso a capital ou recursos, mas qualquer um pode ser parte do sistema de apoio de outra pessoa", argumenta. Na prática, ela mantém iniciativas como a Eva Longoria Foundation (fundada em 2012, com foco em oportunidades educacionais e empreendedoras para mulheres latinas) e a organização Eva's Heroes, voltada a pessoas com deficiência intelectual.
Segundo a Fortune, McRaven direcionou sua premiação a programas educacionais para futuros líderes militares e filhos de veteranos falecidos, além de iniciativas de saúde mental voltadas a militares. O exemplo reforça, para Longoria, que grandes doações podem conviver com ações capilares que fortalecem comunidades.
A discussão sobre o papel de bilionários nessa agenda também traz um alerta: depender exclusivamente de poucos grandes cheques pode desestimular a participação cívica. Liz Baker, CEO da Greater Good Charities, disse à Fortune que "não podemos nos dar ao luxo de esperar que os bilionários resolvam os problemas do mundo". Sua organização afirma já ter distribuído mais de US$ 1 bilhão em 121 países desde 2006. "Todo mundo pode contribuir – e nem precisa ser dinheiro. Faça algo", resume. "Mesmo que você tenha apenas uma hora por semana para resolver um problema em sua comunidade que te importa."
No fim, a pergunta que Longoria coloca é simples: o que define o impacto de uma ação filantrópica — o tamanho do cheque ou a capacidade de mobilizar e inspirar outros a agir? Para a atriz, a transformação real floresce na conexão humana e na responsabilidade compartilhada.
Com reportagem da Fortune (https://fortune.com/article/billionaire-jeff-bezos-gave-eva-longoria-admiral-behind-osama-bin-ladens-capture-100-million-she-says-you-dont-need-wealth-to-give-back/)
Source · Fortune





