A gestora nórdica Evli está fazendo uma aposta clara para o ciclo que se estende até o fim de 2026: mais risco, mas de forma seletiva. A casa optou por sobreponderar sua exposição a ações de mercados emergentes e a títulos de crédito de alto rendimento, conhecidos como 'high yield', em detrimento da segurança dos títulos de dívida soberana. O movimento foi reportado pela Forbes España.
A tese por trás da alocação se apoia em um cenário macroeconômico que o mercado apelidou de 'goldilocks' (ou 'Cachinhos Dourados'): crescimento econômico robusto com uma inflação comportada. Para a Evli, este ambiente justifica uma busca por retornos mais altos em ativos que, embora mais arriscados, apresentam fundamentos sólidos e valuations atrativos.
A tese da IA descentralizada
A convicção nos mercados emergentes vem, em grande parte, da tese de que a euforia com a inteligência artificial está se espraiando. Após uma correção nos papéis ligados à infraestrutura de IA, a Evli enxerga uma oportunidade. Segundo a gestora, empresas de países emergentes são peças-chave na cadeia de suprimentos de chips e memórias, oferecendo uma exposição significativa ao tema com valuations mais baratos que os vistos nos Estados Unidos.
O ponto central, articulado por Peter Lindahl, diretor de fundos sistemáticos da Evli, é que “o crescimento já não se concentra unicamente nas grandes empresas de IA, mas se estendeu aos setores cíclicos, financeiros e industriais”. A gestora também está rotacionando sua carteira setorialmente para capturar essa amplitude, aumentando o peso em finanças, energia e indústria, enquanto reduz a exposição a empresas de crescimento de longa duração, mais sensíveis a juros altos.
O risco calculado na renda fixa
Na renda fixa, a lógica é similar: trocar a segurança aparente por um risco que parece bem precificado. A Evli defende a sobreponderação em títulos 'high yield' com base nos “sólidos fundamentos empresariais” e nas baixas taxas de inadimplência (default). O prêmio de rentabilidade oferecido por esses papéis compensaria o risco, mesmo com um aumento no volume de emissões — parte delas vinda de empresas do próprio ecossistema de IA.
Do outro lado da balança, a gestora está subponderando os títulos soberanos por enxergar um risco assimétrico. Com os rendimentos dos títulos de 10 anos já em patamares elevados, um novo avanço na direção de 5% seria mais prejudicial para ativos de maior duração. A leitura é que o potencial de ganho na dívida soberana não compensa o risco de uma nova alta nos juros.
A estratégia da Evli é um retrato de um investidor que acredita na resiliência da economia global, mas que busca valor fora dos portos seguros tradicionais. É uma aposta de que os efeitos secundários do boom de IA e a força dos balanços corporativos são teses mais poderosas, no momento, do que a busca por segurança a qualquer custo. A grande questão é se o cenário 'goldilocks' veio para ficar.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





