Leon Botstein, figura central na trajetória de cinco décadas da Bard College, renunciou nesta semana a todos os seus cargos e afiliações com a instituição. A decisão ocorre em meio a um crescente escrutínio sobre seus laços com Jeffrey Epstein, o financista condenado por crimes sexuais. Botstein já havia anunciado sua aposentadoria em maio, após a divulgação de documentos do Departamento de Justiça, conhecidos como Epstein Files, que revelaram uma relação mais próxima entre ambos do que se supunha.

A Investigação e as Revelações

A renúncia de Botstein ganhou contornos mais sérios com a carta enviada pelo Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes dos EUA aos líderes da Bard. O documento sugere que, durante a presidência de Botstein, ele "provavelmente facilitou e possivelmente até participou" das atividades criminosas de Epstein. A carta também criticou a forma como a Bard lidou com denúncias de má conduta sexual sob a gestão de Botstein, que liderou a faculdade de 1975 e foi conhecido por sua habilidade em captação de recursos, elevando o prestígio da instituição.

O Legado Maculado e a Revisão Independente

A reputação de Botstein, que transformou a Bard em um centro de excelência, especialmente em seu programa de curadoria e no Museu de Arte Hessel, foi severamente abalada. Os Epstein Files evidenciaram uma correspondência próxima e contínua entre Botstein e Epstein, mesmo após a condenação deste por aliciamento de menor. Em um intercâmbio de 2013, Botstein expressou saudade e valorizou sua "nova amizade" com Epstein. Uma revisão independente encomendada pela Bard, conduzida pela firma WilmerHale, concluiu que Botstein não cometeu crimes, mas questionou sua liderança ao constatar que ele minimizou e não foi totalmente preciso ao descrever sua relação com Epstein. A revisão também apontou visitas de Botstein à ilha de Epstein e aceitação de pagamentos do financista, com Botstein justificando que "aceitaria dinheiro de Satanás se isso permitisse fazer o trabalho de Deus" para a captação de recursos.

Divisões e a Continuidade de Projetos

Mesmo após sua aposentadoria formal, Botstein manteve envolvimento em programas musicais, como co-diretor artístico do Bard Music Festival e líder do programa The Orchestra Now. Sua presença continuou a gerar divisões no campus, com professores expressando preocupação sobre a confiança na liderança de Botstein e recusando-se a "perpetuar, endossar ou repetir as escolhas que Botstein fez para implicar a Bard no facilitamento de abuso e tráfico humano". A renúncia de Botstein de todos os seus papéis visa, em parte, responder a essas preocupações e à pressão externa.

Perguntas em Aberto

A renúncia de Botstein encerra um capítulo controverso para a Bard College, mas deixa questões em aberto sobre a responsabilidade institucional e a supervisão de figuras de liderança. A forma como a universidade lidará com o legado de Botstein e as implicações de suas conexões com Epstein para sua reputação a longo prazo ainda serão observadas. A comunidade acadêmica e o mundo das artes aguardam os próximos passos da instituição para reafirmar seus valores e garantir um ambiente seguro e ético.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · ARTnews