Aos 56 anos, Siobhan MacDermott, com um currículo que inclui posições de vice-presidente no Bank of America e principal na EY, além de liderança em cibersegurança em empresas como AVG e McAfee, se viu diante de um obstáculo inesperado: a dificuldade em encontrar um novo emprego. Após se mudar de Nova York para a Califórnia por motivos familiares e deixar um cargo de sócia no The Consello Group, MacDermott, que em 2024 tinha 54 anos, não antecipou as barreiras que enfrentaria ao tentar retornar ao mercado de trabalho formal em sua faixa etária, especialmente como mulher em um campo técnico.

A executiva descreve a experiência como um choque, onde a lacuna entre sua experiência comprovada e a capacidade do mercado de categorizar seu perfil se tornou o principal entrave. O que mais a surpreende é a resistência em contratar profissionais com seu nível de senioridade e conhecimento, mesmo em organizações que, segundo ela, necessitam desesperadamente de suas habilidades. "É frustrante ver organizações que precisam exatamente do que construí não me contratarem", relata. A busca, que se estendeu por mais de um ano, foi marcada por estratégias ineficazes como o "LinkedIn Easy Apply", chamadas de recrutadores que não levavam a lugar algum e entrevistas comportamentais longas com pessoas que desconheciam as empresas onde ela atuou.

O Labirinto da Senioridade e o Preconceito Velado

MacDermott detalha que o processo de candidatura se tornou um "enviar para o éter", com poucas ou nenhuma resposta, mesmo para vagas para as quais se sentia qualificada ou até mesmo superqualificada. A falta de feedback, mesmo o básico "obrigado por se candidatar", a levou a buscar contato direto com chefes de RH e, posteriormente, com CEOs e membros do conselho. Sua estratégia de "contornar o RH" consistia em enviar cartas com observações sobre as empresas, propondo melhorias estratégicas. Essa abordagem, embora tenha conseguido abrir portas, frequentemente resultava em ser encaminhada para níveis hierárquicos inferiores, onde a resposta era um educado, mas desanimador, "você está superqualificada para esta vaga".

A executiva também relata ter experimentado com seu perfil no LinkedIn, alterando o gênero para masculino e feminino repetidamente para testar a receptividade. Ela percebeu um engajamento maior quando o perfil sugeria um homem, atribuindo isso ao ambiente predominantemente masculino da tecnologia e, especialmente, do Vale do Silício. Para mitigar o que percebia como preconceito etário, removeu os primeiros seis anos de sua carreira do currículo e as datas de seus diplomas, buscando parecer entre sete a dez anos mais jovem. Essas mudanças, segundo ela, aumentaram o engajamento na plataforma.

A Necessidade de Reinventar a Carreira

A frustração e a pressão financeira decorrentes de uma busca infrutífera por emprego, que se estendia por um ano, levaram MacDermott a uma decisão drástica: empreender. "Eu não queria que meu trabalho em tempo integral fosse procurar um emprego", justificou. A falta de perspectivas claras no Vale do Silício, onde as oportunidades pareciam restritas a cientistas da computação e engenheiros, a impulsionou a refletir sobre suas próprias competências. A partir daí, ela identificou problemas que poderia resolver e lançou duas empresas em janeiro: Khaos Holdings, focada em inteligência de risco estratégico, e TeenAegis, voltada para segurança infantil.

O empreendedorismo surgiu como uma necessidade e uma forma de combater o "tédio intelectual" que sentia. A jornada, que se estendeu por dois anos desde seu último emprego, também impactou seu planejamento de aposentadoria, adiando-o em cerca de oito a dez anos, pois precisou recorrer às suas economias. Contudo, esse período de transição forçada a fez reavaliar o propósito de sua carreira, focando em "o que eu quero fazer com o resto da minha vida?" em vez de "que emprego eu quero ter?", e em qual legado gostaria de deixar.

Implicações e o Futuro Incerto

A experiência de MacDermott levanta questões importantes sobre o mercado de trabalho para profissionais seniores, especialmente mulheres em tecnologia. A dificuldade em se encaixar em descrições de cargo rígidas e o preconceito etário e de gênero, mesmo em empresas que se dizem abertas à diversidade, são barreiras significativas. Para muitas, a única saída parece ser a reinvenção através do empreendedorismo, o que, por sua vez, acarreta riscos financeiros e incertezas sobre o futuro, como a necessidade de captação de recursos para suas novas empresas.

A busca por um novo rumo profissional, que para MacDermott se tornou uma espécie de "crise de meia-idade", a levou a redefinir seu conceito de segurança. De "segurança vem de um salário" para "segurança vem do que eu construí e do que eu sei". Essa mudança de perspectiva, embora fortalecedora, não elimina a dureza do processo. Manter o otimismo diário, lidar com a solidão, a exaustão e a perda do senso de valor próprio são desafios constantes. A executiva, no entanto, mantém uma postura de "eterna otimista", determinada a fazer seu empreendimento funcionar, mas ciente de que o caminho pode ser árduo e incerto.

O futuro de MacDermott e de sua empresa ainda está em aberto, dependendo em grande parte da captação de investimentos. Se bem-sucedida, sua busca por um emprego formal pode ter chegado ao fim. Caso contrário, ela continuará na jornada, mas com a convicção de que qualquer novo passo será adjacente aos problemas que agora busca solucionar com seus próprios negócios. A história é um testemunho das complexidades e, por vezes, crueldades do mercado de trabalho para profissionais experientes, forçando-os a repensar não apenas suas carreiras, mas o próprio sentido de propósito e segurança.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Business Insider