O Exército dos Estados Unidos intensificou o aprendizado sobre defesa aérea, extraindo lições valiosas dos complexos cenários de combate na Ucrânia e no Oriente Médio. As unidades de defesa aérea que atuam na linha de frente estão trazendo para dentro do país observações críticas sobre as ameaças e táticas empregadas por adversários, adaptando o treinamento para refletir a realidade de um campo de batalha cada vez mais desafiador, marcado por ataques coordenados de mísseis e drones.

Oficiais militares apontam que a intensidade dos ataques com mísseis e drones em conflitos globais tem sido um catalisador para a revisão dos protocolos de treinamento e proteção das forças de defesa aérea americanas. A preocupação central reside na capacidade de manter os sistemas, como as baterias de mísseis Patriot, operacionais e protegidos contra táticas que visam sobrecarregá-los ou caçá-los. A rápida incorporação dessas observações no treinamento visa garantir que as tropas acompanhem o ritmo das ameaças em constante evolução.

Lições da Ucrânia: Sobrevivência e Dissuasão

Na guerra contra a Ucrânia, as forças russas demonstraram uma estratégia focada em caçar e neutralizar sistemas de defesa aérea, ao mesmo tempo que tentam saturar as defesas com uma combinação de drones de ataque unidirecional, mísseis balísticos e de cruzeiro. Essa abordagem expôs a necessidade de aprimorar as capacidades de mobilidade, camuflagem, engano e dispersão das próprias unidades de defesa aérea. O Tenente-General John Rafferty, chefe do Comando de Defesa Espacial e de Mísseis do Exército, destacou que os defensores aéreos têm sido particularmente proativos em absorver e aplicar os aprendizados da Ucrânia, com um foco renovado na sobrevivência e na proteção de ativos críticos. A questão central, segundo Rafferty, é como essas observações foram transformadas em ações concretas para proteger soldados e sistemas.

Oriente Médio: Escala e Gerenciamento de Estoques

Paralelamente, o conflito com o Irã no Oriente Médio apresentou um desafio distinto: defender-se contra bombardeios massivos de drones e mísseis, enquanto se gerencia o estoque de interceptores. Essa situação estressou as unidades de defesa aérea americanas e aliadas, fornecendo dados cruciais sobre a eficácia de diferentes táticas e a sustentabilidade de operações de alta intensidade. Aproximadamente 25% a 30% das formações de defesa aérea do comando de Rafferty, compostas principalmente por unidades Patriot e THAAD, estão destacadas na região. Essas experiências no terreno estão sendo diretamente repassadas a outras brigadas, informando sobre os tipos de ameaças, a escala, o escopo e a complexidade dos ataques, garantindo que novas formações sejam treinadas com base nesses insights.

Adaptação Constante e Simulações

A combinação das lições da Ucrânia e do Oriente Médio oferece ao Exército dos EUA um espectro mais amplo de aprendizado. Para preparar as tropas contra novas ameaças e empregar táticas inovadoras, o uso de simulações de combate tem sido fundamental. Esses cenários virtuais estão sendo constantemente atualizados com os dados mais recentes dos conflitos, permitindo que os soldados pratiquem em ambientes que mimetizam as condições reais do campo de batalha. A importância da defesa aérea para interceptar projéteis inimigos, proteger infraestruturas críticas e contestar o domínio aéreo inimigo foi reiterada pelos conflitos recentes.

Desafios Futuros: Municiamento e Alvos Prioritários

Contudo, a alta taxa de utilização de interceptores e outras munições de defesa aérea levanta preocupações sobre a suficiência dos estoques americanos para conflitos futuros de longa duração. Ao mesmo tempo, os próprios defensores aéreos tornaram-se alvos prioritários para as forças inimigas, o que eleva a importância estratégica da dispersão, camuflagem e mobilidade para a sua sobrevivência. A capacidade de se manter oculto e em movimento constante é agora tão vital quanto a capacidade de interceptar ameaças.

O Exército dos EUA reconhece que a dinâmica da guerra moderna exige uma adaptação contínua de suas estratégias de defesa aérea. A integração de lições de múltiplos teatros de operação, aliada ao desenvolvimento de tecnologias e táticas de sobrevivência, é um passo essencial para manter a superioridade em um ambiente de ameaças em rápida mutação. A vigilância e a capacidade de aprendizado rápido definem agora a linha de frente da defesa.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Business Insider