O brilho metálico do cromo e a sobriedade do nogueira não eram, originalmente, elementos de diversão. Na década de 1960, eles compunham a arquitetura da produtividade, um cenário onde o design buscava traduzir a eficiência da Era Espacial para o ambiente corporativo. É esse vocabulário, muitas vezes associado à rigidez das salas de reunião, que o designer Fabio Fantolino decidiu transpor para o Leve Office Bar, em Turim. O resultado é um espaço que não apenas evoca o passado, mas questiona a fronteira entre onde trabalhamos e onde buscamos refúgio.
O retorno da estética corporativa
O projeto de Fantolino não se limita ao pastiche nostálgico. Ao utilizar materiais como esmalte vermelho profundo e aço inoxidável, o designer resgata uma época em que o ambiente de trabalho era visto como um palco de aspirações. A escolha de mobiliário, como a icônica cadeira S33 de Mart Stam, reforça essa conexão histórica. O design da década de 1960 foi um divisor de águas: o escritório deixou de ser uma sucessão de cinzas institucionais para se tornar um espaço de cores saturadas e plantas fluidas, uma transição que o bar agora capitaliza para criar uma atmosfera de intimidade sofisticada.
A coreografia social do espaço
O que torna o Leve Office Bar intrigante é a forma como ele manipula a experiência do usuário através da disposição dos ambientes. No térreo, o balcão de aço inoxidável impõe uma lógica industrial, enquanto o piso de resina verde-abacate no segundo nível funciona como um gesto de ousadia cromática. Ao subir para o mezanino, o visitante encontra divisórias modulares que remetem aos clusters de estações de trabalho, transformando a estrutura do escritório aberto em nichos de conversação. A iluminação modulada e os tetos espelhados fragmentam o espaço, dissolvendo a rigidez original em favor de uma experiência sensorial contínua.
Conexões entre trabalho e hospitalidade
A tese central de Fantolino parece ser a de que um bom escritório e um bom bar compartilham a mesma ambição: o design centrado no ser humano. Ao aplicar os princípios de conforto e coreografia social que moldaram os escritórios experimentais de meados do século passado, o projeto sugere que a hospitalidade moderna pode aprender com a funcionalidade daquele período. Para o observador contemporâneo, a transição do ambiente de trabalho para o bar é menos uma mudança de propósito e mais uma evolução na forma como ocupamos espaços projetados para a convivência.
Perspectivas sobre o design imersivo
O que permanece em aberto é se essa estética, tão marcada pela utopia tecnológica de 1960, pode continuar a ressoar em um mercado cada vez mais voltado para o minimalismo digital. O Leve Office Bar é um lembrete de que o design, quando executado com precisão histórica, deixa de ser apenas decoração para se tornar uma narrativa viva. A pergunta que resta é: será que o futuro dos nossos espaços de encontro reside na capacidade de resgatar o otimismo arquitetônico de décadas passadas?
O projeto de Turim convida a essa reflexão silenciosa, onde cada reflexo no espelho defumado nos faz questionar se estamos em um escritório após o expediente ou em um teatro de memórias corporativas. A resposta, talvez, seja irrelevante diante da atmosfera criada.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · The Cool Hunter





