A publicação do diário de Anthony Fauci, principal voz da saúde pública americana durante a pandemia, reacendeu o debate sobre a origem da Covid-19. Em um artigo de opinião para a Fortune, os professores Steve Hanke e Roger Koppl usam os documentos, liberados pelo senador Rand Paul, para argumentar que a ciência foi politizada por figuras de poder, que eles denominam "Big Players".

A tese é que esses atores, incluindo Fauci, usaram sua influência para suprimir a hipótese de que o vírus teria vazado de um laboratório. Eles não estariam sujeitos a mecanismos de controle, como a revisão por pares, agindo para alinhar a narrativa científica a interesses políticos, e não à busca pela verdade factual.

A chamada decisiva

O ponto central da análise é uma teleconferência de 1º de fevereiro de 2020. Segundo os autores, com base no diário, dez dos doze cientistas presentes na chamada, incluindo especialistas de renome, acreditavam que o vírus tinha características de manipulação em laboratório. Os dois dissidentes defendiam a origem natural.

Contudo, dias depois, o grupo que antes apoiava a tese de vazamento mudou publicamente de posição, endossando a narrativa de origem natural. Para os colunistas da Fortune, a mudança não foi fruto de nova evidência científica, mas de pressão. Quatro "Big Players" estavam na chamada — Fauci, Jeremy Farrar (do Wellcome Trust), Francis Collins (do NIH) e Patrick Vallance (conselheiro do Reino Unido) —, que juntos controlam montanhas de financiamento para pesquisa. A sugestão é que o alinhamento foi uma condição para não sofrer "ostracismo financeiro".

O artigo da Fortune contrasta a imagem pública de Fauci — o cientista que "sempre fala a verdade nua e crua" — com seu suposto papel nos bastidores para "carimbar a opinião científica em conformidade". A discussão sobre as origens da Covid está longe de um consenso. Mas o episódio, na leitura dos autores, expõe uma vulnerabilidade crítica: a concentração de poder e verbas nas mãos de poucos pode transformar a ciência em um campo de batalha político, minando a confiança em suas instituições.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fortune