Uma rebelião de poder e escala sem precedentes está se formando contra a FIFA. As confederações que regem o futebol na Europa (UEFA), América do Norte e Central (CONCACAF) e Ásia (AFC) estão em negociações para organizar torneios internacionais rivais, uma manobra que poderia efetivamente criar uma Copa do Mundo paralela e isolar a entidade máxima do futebol.

O movimento, reportado inicialmente pela Bloomberg, é uma resposta direta a uma proposta do presidente da FIFA, Gianni Infantino, de vender cerca de 20% da Copa do Mundo a investidores privados, avaliando o ativo em US$ 20 bilhões. Embora o plano tenha sido retirado após forte reação negativa, o dano à confiança parece irreparável. A questão deixou de ser sobre um negócio e se tornou um plebiscito sobre a governança de Infantino.

O estopim da desconfiança

A proposta de privatização foi, segundo as confederações, “impulsionada em um calendário acelerado, sem uma consulta significativa”. Em uma carta aberta, UEFA, CONCACAF e AFC acusaram a FIFA de manter “silêncio onde deveria haver prestação de contas e distância onde deveria haver transparência”. A leitura é que a falta de diálogo não foi um descuido, mas uma estratégia deliberada para limitar o escrutínio.

O episódio expôs uma fratura fundamental na gestão do esporte mais popular do mundo. Para as confederações, a tentativa de Infantino de se colocar “acima do coletivo” representa uma quebra do dever fiduciário. A UEFA, de longe a mais poderosa e rica das confederações, já confirmou o boicote a competições da FIFA e a perda de confiança na liderança do presidente.

O xadrez da sucessão

A crise ocorre em um momento delicado, às vésperas da eleição presidencial da FIFA. O que se desenha é um jogo de poder para minar a candidatura de Infantino à reeleição. Federações importantes como Inglaterra, País de Gales, Croácia e Suécia já anunciaram que não votarão no atual presidente, e a expectativa é que outras sigam o mesmo caminho.

Contudo, a oposição não é monolítica. Infantino ainda detém apoio considerável fora da Europa, e nenhuma outra confederação declarou um boicote unânime. A questão que paira sobre o mundo do futebol é se esta articulação é uma tática de negociação para forçar reformas internas na FIFA ou o primeiro passo para uma cisão real que redesenharia a geopolítica do esporte para sempre.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España