José Marfará é uma figura quase mítica no universo do fitness brasileiro. Assim como Jane Fonda se tornou sinônimo de aeróbica em VHS nos Estados Unidos nos anos 1980, Marfará foi um dos arquitetos da popularização das academias e das aulas de aeróbica no Brasil. Quatro décadas após fundar a Runner, uma das pioneiras academias de luxo de São Paulo, o empresário está agora focado em expandir a vertical de academias da Reebok no país, marca que ele trouxe para o Brasil no início dos anos 2000 e que pertence à americana Authentic Brands Group (ABG).

Desta vez, seu filho, Raffael Marfará, está à frente do projeto. Originalmente com planos de lançar sua própria rede de academias premium, Raffael uniu sua visão à do pai, transformando o projeto em um veículo de expansão para a Reebok. “Quando ele me mostrou, eu percebi que aquilo poderia ser, na verdade, o nosso projeto de expansão da marca Reebok no País – em uma versão menor, que se enquadra em outras capitais ou cidades do interior,” declarou Marfará pai, evidenciando a sinergia entre as gerações.

O Legado de um Pioneiro

A trajetória de José Marfará no fitness começou cedo. Aos 18 anos, mudou-se para os EUA com o sonho de ser piloto, mas uma aula de aeróbica em uma academia na Califórnia mudou seu rumo. Ao retornar ao Brasil, fundou a Runner nos Jardins, em São Paulo. Um breve segmento no programa Fantástico foi o suficiente para atrair multidões, forçando Marfará a dar pessoalmente as aulas de aeróbica, dada a escassez de professores qualificados no país. O sucesso o levou a expandir a Runner e, posteriormente, vender sua participação. A relação com a Reebok se iniciou em 2000, durante uma viagem à Europa, culminando em um novo contrato de 20 anos para desenvolver a marca em território nacional.

A Nova Estratégia: Reebok Gym

As duas unidades atuais da Reebok Sports Club em São Paulo, com mais de 5 mil metros quadrados cada, servem como flagships, mas seu tamanho e custo limitam a escalabilidade. A solução de Raffael Marfará é a criação da Reebok Gym, uma bandeira boutique mais acessível. Com cerca de 1.300 a 1.600 metros quadrados, essas academias oferecerão musculação, aulas coletivas, bike, Pilates e lutas, com mensalidades estimadas entre R$ 400 e R$ 550. A proposta é competir no segmento premium, atraindo consumidores dispostos a pagar mais por um serviço de qualidade superior, em contraste com as redes low-cost.

O Mercado Brasileiro e a Expansão

O mercado brasileiro de academias, com 14,7 milhões de usuários (menos de 7% da população), apresenta um vasto potencial de crescimento quando comparado aos 23% dos EUA. Os Marfará visam capturar uma pequena fração desse público, projetando um mercado de 147 mil clientes apenas com 1% de participação. A expansão será realizada via licenciamento, com os Marfará mantendo participações minoritárias (5% a 33%) e direitos de veto, garantindo o controle da qualidade. A primeira fase prevê dez unidades, com investimento estimado de R$ 7,5 milhões por unidade e payback projetado entre 24 e 36 meses.

A aposta na Reebok Gym reflete uma visão clara: oferecer uma experiência premium, com foco em aulas em grupo e professores presentes, diferenciando-se das grandes redes. A estratégia de licenciamento permite que parceiros locais invistam e operem as unidades, enquanto a família Marfará supervisiona a entrega da qualidade e a estratégia da marca. A ambição é clara: replicar o sucesso do passado e consolidar a Reebok como uma força significativa no fitness brasileiro, adaptando o modelo de luxo a uma realidade de mercado mais ampla e com potencial de crescimento expressivo.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Brasil Journal Tech