Mona Simion, professora de filosofia na renomada Universidade de Oxford, foi eleita para integrar o Conselho Diretivo do International Science Council (ISC). A nomeação sinaliza a valorização de perspectivas filosóficas no âmbito da ciência global e na tomada de decisões informadas por evidências.
O ISC, uma organização não governamental, congrega as principais associações acadêmicas disciplinares, como a União Internacional de Física Pura e Aplicada e a União Internacional de Ciências Geológicas, além de organizações nacionais de prestígio, como a National Academy of Sciences dos EUA e a British Academy.
Fundado em 2018 pela fusão do International Council for Science e do International Social Science Council, o ISC tem como missões promover o valor da ciência, facilitar a colaboração interdisciplinar internacional, divulgar o conhecimento científico — especialmente em sua relação com políticas públicas — e defender a prática livre e responsável da ciência.
A eleição de Simion para um mandato de quatro anos, com início previsto para outubro, é particularmente notável. Embora a maioria dos membros do ISC sejam organizações de ciências naturais e exatas, o conselho busca uma representação mais ampla. A União Internacional de História e Filosofia da Ciência e Tecnologia é uma das poucas organizações filosóficas a integrar o conselho. Anteriormente, Francoise Baylis, emerita da Dalhousie University, também ocupou um assento no conselho, demonstrando um precedente para a inclusão de filósofos.
A participação de Simion no ISC sublinha a relevância da filosofia em um cenário científico cada vez mais complexo. Questões éticas, epistemológicas e metodológicas intrinsecamente ligadas ao avanço científico e à sua aplicação na sociedade demandam um olhar crítico e reflexivo que a filosofia pode oferecer. A capacidade de analisar os fundamentos do conhecimento científico, as implicações sociais e éticas das descobertas e a própria natureza da prática científica confere aos filósofos um papel crucial na orientação das grandes agendas científicas globais.
O conselho do ISC, ao incluir representantes de diversas áreas do saber, busca garantir que as políticas científicas e as iniciativas de colaboração reflitam uma compreensão holística dos desafios contemporâneos. A perspectiva filosófica pode enriquecer o debate sobre como a ciência deve ser conduzida, comunicada e utilizada para o benefício da sociedade, abordando não apenas o "o quê" e o "como" da pesquisa, mas também o "porquê" e as suas consequências.
A eleição de Mona Simion para o conselho do ISC, portanto, não é apenas um reconhecimento individual, mas também um indicativo da necessidade crescente de integrar o pensamento filosófico nas discussões sobre o futuro da ciência e sua relação com o mundo.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Daily Nous





