O papel da agência de viagens está passando por uma transformação estrutural, migrando da simples intermediação para uma assessoria hiperpersonalizada. A mudança é impulsionada por um novo perfil de consumidor, que agora prioriza a experiência em detrimento do destino ou do preço. A conclusão é de um estudo da DIT Gestión, grupo que representa agências na Espanha, com base na análise de reservas e consultas nos últimos anos.
O que o relatório descreve não é apenas uma tendência, mas a redefinição do modelo de negócio. O viajante chega ao ponto de venda mais informado, com expectativas concretas e uma ideia clara do tipo de vivência que busca. A agência, portanto, deixa de ser uma executora de reservas para se tornar uma curadora de possibilidades.
O fim do destino como ponto de partida
A análise da DIT Gestión detalha que o processo de escolha de uma viagem já não se articula em torno de um país ou cidade. A demanda agora se canaliza por propostas temáticas: roteiros gastronômicos, trilhas de bicicleta, festivais de música ou imersão na cultura local. A localização física, antes o pilar da decisão, tornou-se secundária.
Este novo comportamento é alimentado por um ciclo de inspiração multicanal, que vai de redes sociais a criadores de conteúdo especializados. O resultado é um consumidor que inicia seu planejamento meses antes e busca um profissional capaz de filtrar o excesso de informação e desenhar um itinerário que agregue valor real.
De intermediário a curador de valor
Nesse cenário, o valor diferencial das agências não reside mais na gestão de voos e hotéis, tarefas hoje comoditizadas por plataformas digitais. A função do agente evolui para a de um especialista que interpreta as motivações do cliente e constrói uma jornada sob medida, aportando valor onde a tecnologia por si só não alcança.
A transição do transacional para o consultivo parece ser um caminho sem volta. Em um mercado onde gigantes da tecnologia dominam a ponta da reserva, a sobrevivência do intermediário humano depende de sua capacidade de oferecer o que um algoritmo ainda não consegue: curadoria, empatia e a criação de uma experiência verdadeiramente única.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





