A Fincantieri, uma das maiores construtoras navais da Europa e fornecedora central para o setor de defesa italiano, está explorando o desenvolvimento de embarcações movidas a energia nuclear. A sinalização foi feita pelo CEO da companhia, Pierroberto Folgiero, durante uma mesa redonda a portas fechadas, segundo relato do portal especializado Breaking Defense.

O movimento sugere um interesse renovado da base industrial de defesa europeia em propulsão nuclear, uma tecnologia historicamente restrita a submarinos e porta-aviões de potências globais. A exploração dessas capacidades pela empresa aponta para uma tentativa de alinhar o portfólio naval às demandas de longo prazo por maior autonomia, alcance estendido e eficiência energética no mar.

O redesenho das capacidades navais europeias

Além da propulsão nuclear, as discussões de Folgiero refletem um esforço de adaptação tática impulsionado por conflitos recentes. O executivo destacou as lições extraídas da guerra na Ucrânia, especificamente o impacto operacional dos drones navais. O uso bem-sucedido de sistemas não tripulados no Mar Negro demonstrou como frotas tradicionais de alto valor podem ser vulneráveis a ataques assimétricos de baixo custo, forçando construtores navais a repensar o design, a capacidade de sobrevivência e os sistemas de defesa de suas embarcações de superfície.

Nesse contexto de modernização e integração continental, o CEO também abordou o futuro da corveta de patrulha europeia comum. O projeto visa padronizar plataformas e fortalecer a interoperabilidade entre as marinhas da União Europeia, diluindo custos de pesquisa e desenvolvimento. A combinação de estudos sobre reatores nucleares, integração de defesas contra enxames de drones e o desenvolvimento de plataformas pan-europeias ilustra a pressão estrutural sobre a indústria de defesa para equilibrar inovação de longo prazo com a necessidade de respostas ágeis a ameaças emergentes.

A viabilidade e o cronograma para a introdução de navios a propulsão nuclear pela Fincantieri permanecem em aberto, dependendo de complexos fatores regulatórios, orçamentários e de segurança. O avanço dessas explorações preliminares servirá como um termômetro para o apetite europeu por investimentos de capital intensivo em sua nova arquitetura de segurança marítima.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Breaking Defense