A Fission, uma startup de Nova York fundada em 2024, anunciou um aporte de US$ 10 milhões em sua rodada Série A, liderada pela Pantera Capital. O objetivo da empresa é solucionar um dos maiores entraves para a adoção em massa de fundos tokenizados: a falta de liquidez. Enquanto a tokenização promete agilizar processos e reduzir burocracia, o tempo médio para um investidor vender suas cotas em fundos digitais ainda pode chegar a 200 dias. A Fission propõe um sistema que permite a venda em segundos, mediante o pagamento de uma taxa. A startup, que conta com ex-veteranos de instituições como Point72 e Securitize, visa atrair compradores que hoje ficam de fora do boom da tokenização no mercado financeiro tradicional.

O gargalo da liquidez em fundos tokenizados

A tokenização de ativos financeiros, que transforma cotas de fundos e outros produtos em tokens digitais em blockchains, tem ganhado força em Wall Street. Grandes gestoras como BlackRock, Apollo e Janus Henderson já utilizam a tecnologia para emitir e gerenciar fundos. O JPMorgan também tem expandido seus esforços, lançando fundos de mercado monetário tokenizados. No entanto, a emissão de tokens não garante a facilidade de saída para os investidores. Relatórios da Organização Internacional de Comissões de Valores (IOSCO) apontam que o avanço tem sido maior na criação dos tokens do que no estabelecimento de mercados secundários eficientes para sua negociação. A Fission se propõe a ser esse mercado, atuando como compradora direta das cotas tokenizadas, eliminando a longa espera pelo processamento de retiradas tradicionais ou pela busca de um comprador no mercado.

A solução da Fission: liquidez sob demanda

A abordagem da Fission é direta: conectar carteiras digitais de investidores à sua plataforma e processar a venda quase instantaneamente. A empresa cuida dos trâmites legais e de negociação nos bastidores, prometendo liquidação em 90 segundos ou menos. Essa agilidade é um diferencial significativo em comparação aos meses que investidores podem esperar para vender suas posições. "Onde a tokenização está hoje tem sido realmente focada na camada de ponte e na camada de emissão", disse Franklin Bi, sócio da Pantera Capital, em declarações à Fortune. "Mas o que a Fission foca – o problema pós-tokenização – quase ninguém está focando."

Implicações para o futuro das finanças digitais

A injeção de capital na Fission, com participação de nomes como Circle Ventures e Borderless Capital, sinaliza um interesse crescente em resolver problemas de infraestrutura no ecossistema de finanças digitais. A capacidade de oferecer liquidez rápida para fundos tokenizados pode ser um catalisador para uma maior adoção institucional e individual, aproximando o mercado de capitais tradicional das inovações trazidas pela tecnologia blockchain. A proposta da Fission pode abrir caminho para novos modelos de investimento e negociação, onde a velocidade e a eficiência se tornam tão importantes quanto o acesso a ativos alternativos.

Perguntas em aberto e o caminho adiante

Embora a rodada de financiamento e o modelo de negócio da Fission pareçam promissores, restam questões sobre a escalabilidade de sua operação e a sustentabilidade do modelo de precificação. A capacidade de atrair um volume suficiente de compradores para absorver a oferta de vendedores, especialmente em momentos de estresse de mercado, será crucial. Além disso, a conformidade regulatória em diferentes jurisdições para esse tipo de transação rápida e automatizada continuará sendo um ponto de atenção. A Fission precisará demonstrar sua resiliência e capacidade de adaptação em um cenário financeiro em constante evolução.

A Fission agora tem o capital para testar sua proposta de valor em larga escala, buscando transformar a experiência de investimento em fundos tokenizados e acelerar a convergência entre finanças tradicionais e digitais. A forma como a empresa navegará os desafios regulatórios e de mercado definirá seu impacto futuro. Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fortune