O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participa nesta terça-feira (7) da audiência pública conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Em um espaço de dez minutos, o parlamentar busca convencer as autoridades americanas a desistirem da proposta de impor uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, um movimento que coloca o Brasil no centro de uma disputa comercial sob a administração de Donald Trump.
A participação ocorre em um cenário de alta tensão diplomática. Enquanto o Palácio do Planalto acusa o parlamentar de ter incentivado a medida, Flávio sustenta que a suspensão da tarifa é necessária para evitar que o governo Lula utilize o conflito como combustível eleitoral. A manifestação enviada ao USTR busca desarticular a narrativa de que a sanção seria uma resposta técnica necessária.
O cálculo político da retaliação
O principal argumento de Flávio Bolsonaro é que a manutenção da tarifa de 25% produziria um efeito paradoxal. Segundo sua tese, o governo Lula tem buscado escalar a tensão com Washington justamente para capitalizar politicamente sobre a sanção. Ao ser tratado como alvo de uma represália externa, o presidente brasileiro conseguiria, na visão do senador, fortalecer sua base eleitoral sob o pretexto de defesa da soberania nacional.
Para o parlamentar, suspender a sobretaxa seria a maneira mais eficaz de retirar do governo brasileiro um ativo de campanha. A estratégia do senador é, portanto, tentar isolar o Planalto, argumentando que a medida protecionista americana acaba por servir aos propósitos de marketing político da gestão petista, em vez de corrigir distorções comerciais reais.
Falhas na condução diplomática
Outro pilar da argumentação de Flávio é a crítica à condução das negociações por parte do governo brasileiro. O senador alega que o Palácio do Planalto negligenciou os canais institucionais adequados para o diálogo com o USTR, optando por um confronto público. Ele cita uma comunicação do secretário de Estado, Marco Rubio, indicando que a audiência pública é o fórum legítimo para tratar do tema.
Essa visão sugere que a crise atual não é fruto apenas de divergências estruturais, mas também de uma escolha deliberada do governo brasileiro em priorizar o embate político. Ao deixar de utilizar as vias diplomáticas formais, o Brasil teria, segundo o senador, agravado a percepção de falta de cooperação, dificultando a resolução do impasse comercial.
Impacto nas cadeias produtivas
Para além da política, a defesa de Flávio toca na viabilidade econômica da medida para os próprios Estados Unidos. O senador argumenta que a sobretaxa prejudicaria empresas americanas que dependem de cadeias produtivas integradas com o Brasil. O aumento de custos e a perda de competitividade seriam, na sua avaliação, consequências inevitáveis que afetariam o setor privado americano.
Essa abordagem alinha-se, em parte, com os argumentos técnicos apresentados pelo governo brasileiro na resposta oficial ao USTR, embora ambos os lados divirtam sobre as causas da crise. A audiência reúne diversos atores, incluindo a CNI e entidades do setor calçadista, refletindo a preocupação do setor produtivo com a possível aplicação da Seção 301 da lei comercial americana.
O horizonte da decisão
O desfecho desta audiência é o último passo antes da decisão final do governo Trump sobre a investigação, prevista para 15 de julho. O governo brasileiro mantém uma frente diplomática paralela, oferecendo propostas de redução de tarifas em setores específicos, embora tenha mantido o Pix fora das concessões, mantendo uma postura de cautela nas negociações.
A incerteza permanece sobre o peso que os argumentos de Flávio terão diante da agenda protecionista da Casa Branca. A expectativa é observar como o USTR equilibrará a pressão política dos aliados brasileiros com os interesses protecionistas americanos, definindo o futuro da relação comercial entre as duas maiores economias do hemisfério.
O desdobramento desta audiência servirá como um termômetro para a viabilidade de futuras negociações bilaterais em um ambiente global cada vez mais fragmentado. A capacidade de ambos os lados em separar o ruído político das necessidades econômicas determinará a estabilidade do comércio bilateral nos próximos anos.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





