O senador Flávio Bolsonaro (PL) confirmou ter utilizado um jatinho em janeiro de 2025 cujos proprietários incluíam uma empresa ligada a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A confirmação surge em resposta a uma reportagem da revista Piauí, que trouxe à tona a informação. Em uma publicação na rede social X, Flávio Bolsonaro ironizou a associação com Vorcaro, destacando que a mesma aeronave já havia sido utilizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes.

“Imagina se fosse agora, eu teria viajado no avião de Alexandre de Moraes”, escreveu o senador, em uma tentativa de minimizar a controvérsia ao associá-la a figuras de alta relevância institucional. Ele afirmou que, à época da viagem, acreditava que a aeronave pertencia ao advogado Willer Tomaz, um amigo pessoal. Tomaz confirmou à revista Piauí que detinha um terço das cotas da aeronave, enquanto outro terço pertencia à Prime You, empresa na qual Vorcaro figurava como um dos sócios. Relatórios da Polícia Federal, citados na apuração, indicam que cada participação de 33,33% na aeronave estava avaliada em US$ 5,5 milhões em maio de 2025.

A associação com o ministro Alexandre de Moraes, que utilizou o mesmo avião em agosto de 2025, conforme noticiado pelo jornal O Globo, adiciona uma camada de complexidade à situação. O escritório de Viviane Barci de Moraes, em nota, explicou que contratava serviços de táxi aéreo da Prime Aviation e que a escolha da aeronave cabia à empresa, acrescentando que Vorcaro não estava presente nos voos realizados pelo casal. A revelação levanta questionamentos sobre a transparência e a percepção pública de políticos e magistrados que utilizam serviços de aviação privada, especialmente quando há ligações com empresários sob investigação.

A estratégia de Flávio Bolsonaro de ironizar a situação, jogando luz sobre o uso da mesma aeronave por Alexandre de Moraes, pode ser interpretada como uma tentativa de diluir a responsabilidade e transferir o foco do escrutínio. No entanto, a ligação com Vorcaro, cujo nome tem sido associado a investigações envolvendo o Banco Master, pode gerar repercussões políticas e de imagem para o senador, especialmente em um cenário pré-eleitoral. A menção ao ministro do STF, por sua vez, pode colocar a própria corte em uma posição delicada, dada a necessidade de manter a imparcialidade e a distância de controvérsias financeiras.

A situação expõe a fragilidade da linha tênue entre o uso de serviços privados e a percepção de privilégio ou favorecimento. Enquanto o senador busca desviar a atenção com humor ácido, a associação de seu nome a um jatinho com proprietários ligados a figuras controversas, e o fato de ter sido utilizado por um ministro do STF, alimenta o debate público sobre a ética e a transparência no uso de aeronaves particulares por figuras públicas. As próximas semanas provavelmente trarão mais desdobramentos sobre como essa controvérsia afetará a imagem de Flávio Bolsonaro e a percepção do público sobre o uso de jatinhos por políticos e membros do judiciário.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney