O Bank of America (BofA) deu um sinal misto ao mercado sobre o Fleury. Ao mesmo tempo em que elevou o preço-alvo da ação de R$ 14 para R$ 16,50, o banco reiterou sua recomendação de venda (classificação underperform), mesmo após a companhia reportar um crescimento de 45,7% no lucro líquido do segundo trimestre de 2026.
A aparente contradição expõe uma análise que vai além dos resultados imediatos. Para o BofA, não se trata de questionar a qualidade da execução do Fleury, mas de avaliar se o preço atual da ação já não reflete todo o otimismo possível, deixando uma relação de risco-retorno desfavorável para o investidor.
O preço da perfeição
O cerne do argumento do BofA está na valorização. A ação do Fleury acumula uma alta de 24% no ano, superando seus pares no setor de saúde. Com isso, negocia a um múltiplo de 12,1 vezes o lucro projetado para 2027. O número, segundo os analistas, está perigosamente próximo do múltiplo da Rede D’Or, de 13,4 vezes, que teria um perfil de crescimento mais atraente.
A leitura é que o mercado já precificou a performance recente, incluindo o crescimento orgânico de 12% da marca premium no último trimestre. A qualidade da entrega é reconhecida, mas o preço para participar desse sucesso tornou-se elevado demais na visão do banco.
Os limites do crescimento
Olhando para frente, o BofA aponta três focos de cautela. O primeiro são as comparações mais difíceis, já que o crescimento recente foi impulsionado por uma expansão de 8% na área física da marca Fleury, um movimento que não se repetia há anos. Um sinal de alerta já teria surgido: o crescimento da receita por metro quadrado desacelerou de 10% no primeiro trimestre de 2026 para 5% no segundo.
Soma-se a isso uma pressão estrutural sobre as margens. A estratégia de expansão tem focado em marcas de menor preço e em aquisições num mercado de diagnósticos fragmentado e competitivo, o que tende a comprimir a rentabilidade. Com uma estrutura de custos cerca de 70% fixa, o banco vê pouco espaço para compensar essa diluição.
Enquanto a gestão do Fleury, liderada pela CEO Jeane Tsutsui, reforça a consistência na execução de seu plano, o mercado parece colocar na balança se a performance atual é sustentável o suficiente para justificar o prêmio. Para o BofA, os riscos de uma desaceleração e compressão de margens pesam mais que os acertos recentes.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





