O Museu de Belas Artes de Bilbao ganha uma nova dimensão com a conclusão da expansão "Agravitas", um projeto audacioso assinado pela Foster + Partners em parceria com o arquiteto local Luis María Uriarte. A intervenção adiciona cerca de 6.000 metros quadrados de área útil, distribuídos em uma nova estrutura que paira sobre os edifícios preexistentes de 1945 e 1970. A obra, que redefine a paisagem urbana de Bilbao, será aberta ao público em 6 de outubro de 2026.
A estratégia de suspender a nova construção, que se estende por 55 metros entre pilares tubulares em forma de V, cria não apenas um volume flutuante, mas também um generoso espaço público coberto abaixo. Essa abordagem inovadora permite que os edifícios originais do museu permaneçam visíveis e independentes, integrando diferentes épocas arquitetônicas em um diálogo harmônico. A silhueta do museu se transforma radicalmente, com as linhas horizontais da nova adição projetando-se para além das fachadas históricas, enquanto seções envidraçadas revelam a profundidade do espaço.
Um Novo Espaço Sob a Ponte
A elevação da expansão "Agravitas" liberou uma área significativa abaixo, transformando a antiga Plaza Arriaga em um átrio coberto com mais de 1.000 metros quadrados. Este novo espaço público abriga a obra restaurada de Francisco Durrio em homenagem a Juan Crisóstomo de Arriaga, além de esculturas de Eduardo Chillida e Richard Serra, posicionadas sob uma abertura circular de seis metros que atravessa a estrutura superior. O átrio se torna o coração do museu, conectando as diversas partes e facilitando a circulação entre as diferentes coleções e exposições. A rota norte-sul renovada permite aos visitantes atravessar o complexo, apreciando as fachadas antigas e as novas galerias, com as elevações históricas agora servindo como paredes internas do espaço compartilhado.
Galeria Suspensa e Espaços de Exposição
Dentro da estrutura "Agravitas", aproximadamente 2.300 metros quadrados foram dedicados a novas áreas de exposição. O nível superior abriga o BBK Museoa, uma galeria ampla e sem colunas, ideal para exposições temporárias. Funções técnicas foram estrategicamente posicionadas no perímetro para maximizar a flexibilidade do espaço central. A iluminação natural do norte banha a galeria, oferecendo vistas para o parque adjacente, e um terraço anexo amplia as possibilidades para exibições de esculturas. Adicionalmente, 1.635 metros quadrados foram destinados a expandir a área para a coleção permanente, com espaços abaixo da galeria principal acomodando coleções de arquitetura e design, além de usos educacionais. O projeto também incluiu a renovação de cerca de 8.000 metros quadrados da arquitetura existente, como a ala de 1970.
Linguagem Industrial e Sustentabilidade
A utilização do aço é proeminente tanto na estética quanto na estrutura da expansão. Os pilares em V e a moldura em forma de ponte refletem a rica herança industrial de Bilbao e do País Basco, onde a produção de aço e a engenharia moldaram a cidade. A cobertura incorpora mais de 500 metros quadrados de painéis fotovoltaicos, e a fachada em balanço oferece sombreamento para as áreas envidraçadas. Estratégias ambientais como ventilação natural e aproveitamento da luz diurna também foram integradas ao projeto. A intervenção mais notável é a ocupação do espaço aéreo acima do museu, uma solução que aumenta significativamente a área útil sem comprometer a visibilidade das construções originais e transformando o espaço entre elas em um elemento dinâmico do projeto.
A expansão "Agravitas" não é apenas um acréscimo físico ao Museu de Belas Artes de Bilbao, mas uma reinterpretação de como os espaços culturais podem evoluir. Ao elevar a nova construção, Foster + Partners e Luis María Uriarte criaram uma arquitetura que respeita o passado ao mesmo tempo em que abraça o futuro, oferecendo novas experiências aos visitantes e revitalizando o diálogo entre arte, arquitetura e a cidade. As perguntas que ficam são sobre como essa integração de épocas e a nova dinâmica espacial influenciarão a curadoria e a fruição das coleções a longo prazo.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Designboom





