A França, maior potência agrícola da União Europeia, prepara-se para o que pode ser sua pior colheita em quase meio século. O Ministério da Agricultura do país confirmou em relatório que as safras de milho e beterraba sacarina de 2026 devem atingir os níveis mais baixos desde a década de 1970, resultado direto de ondas de calor e secas severas que castigaram o continente.
Os números são um choque. A previsão para o milho foi reduzida para 8,1 milhões de toneladas, uma queda de 42% em relação ao ano anterior. Para a beterraba, a projeção é de 25,4 milhões de toneladas, 29% abaixo da safra passada. Para um país que funciona como a espinha dorsal do abastecimento europeu, a quebra representa um buraco na oferta que pressionará toda a cadeia de suprimentos e, consequentemente, os preços ao consumidor.
O evento transcende o setor agrícola e se torna um fator macroeconômico relevante. Num momento em que os bancos centrais lutam para conter a inflação, um choque de oferta de alimentos dessa magnitude adiciona combustível ao fogo. O que se observa na França não é um problema isolado, mas um sintoma da crescente volatilidade climática, cujos custos agora são contabilizados não apenas em relatórios ambientais, mas nos balanços de empresas e no orçamento das famílias.
A crise agrícola francesa serve como um alerta global. Para exportadores como o Brasil, a quebra de safra na Europa pode, à primeira vista, representar uma janela de oportunidade com o aumento da demanda global. No entanto, o cenário de fundo é mais preocupante: a instabilidade climática se consolida como um risco estrutural para a segurança alimentar, testando a resiliência de um sistema que ainda opera sob a premissa de uma previsibilidade que não existe mais.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





