O Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro/Galeão se prepara para um ciclo de revitalização com a previsão de receber aproximadamente R$ 1 bilhão em investimentos privados nos próximos três anos. A nova gestão, assumida pela espanhola Aena em 6 de outubro, visa transformar o terminal em um hub estratégico, atraindo não apenas melhorias na infraestrutura, mas também uma expansão significativa da malha aérea, com a adição de 30 novos destinos, sendo 18 internacionais.

Essa injeção de capital, oriunda de parceiros comerciais em setores como hotelaria, logística e manutenção de aeronaves, sinaliza um esforço concentrado para recuperar o protagonismo do Galeão como principal porta de entrada do Brasil. Projetos como um novo hotel internacional com potencial para 426 quartos, um centro de testes da BYD e um hangar de manutenção da Gol já estão em andamento, prometendo gerar milhares de empregos e modernizar as operações aeroportuárias. A Aena, que arrematou o terminal em leilão por R$ 2,9 bilhões em outorgas, planeja melhorias diretas na infraestrutura, com foco em índices de qualidade e modernização de equipamentos, visando a percepção dos passageiros a partir de 2027.

A Nova Era do Galeão sob a Aena

A Aena, gigante aeroportuária espanhola com um portfólio de 17 aeroportos no Brasil, assume a gestão do Galeão com a ambição de reconfigurar sua operação. A estratégia da concessionária foca em sinergias entre os aeroportos de sua rede para estimular conexões domésticas e internacionais. A ideia é criar rotas que conectem o Rio a outros polos nacionais e, a partir daí, a destinos globais, como a ponte entre Congonhas-Galeão-JFK ou Recife-Galeão-Europa. Essa abordagem visa não só aumentar o fluxo de passageiros, mas também otimizar a oferta de voos e promover vendas cruzadas, incentivando companhias aéreas, incluindo as de baixo custo (low-cost), a expandir suas operações no terminal carioca.

Impulso para a Infraestrutura e Logística

Os investimentos anunciados vão além da operação aérea. A construção de um novo hotel internacional pela bUP, com aporte de R$ 90 milhões, e um centro de testes da BYD, que demandará R$ 300 milhões e ocupará 184 mil m², demonstram a diversificação de atividades no entorno do aeroporto. A Gol investirá R$ 100 milhões em um hangar de manutenção, e a Hire Capital aplicará R$ 430 milhões em um galpão logístico de grande porte, com planos de expansão. Esses projetos, além de modernizar a infraestrutura, são cruciais para a geração de empregos, totalizando cerca de 3.860 novas vagas, segundo estimativas da Aena.

O Papel do Galeão na Retomada do Turismo

O Galeão, que movimentou cerca de 19 milhões de passageiros em 2025 e possui capacidade para até 37 milhões, ainda opera com metade de seu potencial ocioso. A retomada dos voos internacionais após a pandemia é um fator chave para a recuperação do aeroporto. As novas rotas e a melhoria da infraestrutura são vistas como essenciais para atrair turistas e impulsionar a economia fluminense. O presidente da Anac, Tiago Faierstein, destacou a importância do Galeão como um segundo grande aeroporto internacional para o Brasil, complementando a operação de Guarulhos e fomentando o desenvolvimento regional.

Desafios e Perspectivas Futuras

A coexistência e a coordenação entre o Galeão e o Aeroporto Santos Dumont, que permanece sob gestão da Infraero, são pontos de atenção. O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé França, afirmou que não há planos de licitação para o Santos Dumont no momento, indicando que a Infraero precisa ter seu futuro definido antes. A estratégia do governo de atrair companhias aéreas de baixo custo para o país também se alinha com os objetivos da Aena para o Galeão, buscando democratizar o acesso a viagens aéreas. A integração dos aeroportos e a atração de novas companhias são passos cruciais para que o Galeão atinja seu pleno potencial e consolide o Rio de Janeiro como um polo internacional de turismo e negócios.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney