O instituto Gartner delineou dez projeções estratégicas que devem redefinir o panorama tecnológico e empresarial até 2030, com a inteligência artificial (IA) no centro da revolução. As mudanças previstas abrangem desde a forma como governos prestam serviços até a gestão de custos de IA, a produção de energia e a distribuição de responsabilidade sobre sistemas autônomos. O instituto agrupou essas tendências em três categorias: Robôs em Todos os Lugares, Do Custo ao Valor e Fatores Desconhecidos, indicando que a expansão da IA trará não apenas novas aplicações, mas também alterações profundas em infraestrutura, segurança, governança, energia e modelos de negócios.

IA e a Pressão sobre Serviços Públicos

Uma das previsões mais impactantes aponta para a proliferação de mais de 10 bilhões de agentes autônomos até o final de 2030. Criados por indivíduos, empresas e governos, esses agentes são projetados para identificar oportunidades, verificar elegibilidade e realizar solicitações com mínima intervenção humana. O Gartner estima que esse volume crescente de interações mediadas por IA sobrecarregará os serviços públicos. O impacto esperado transcende a capacidade computacional, exigindo investimentos em sistemas de identidade robustos, mecanismos de confiança e estruturas de responsabilização claras. A infraestrutura digital e os mecanismos de verificação precisarão ser adaptados para lidar com o aumento exponencial de solicitações, reivindicações e transações.

IA no Mundo Físico e Novos Vetores de Ataque

Até 2030, 80% dos trabalhadores de linha de frente em empresas globais deverão ser auxiliados por sistemas de IA física, como robôs, drones e veículos autônomos. Essas tecnologias, já aplicadas em segurança e automação, exigirão investimentos em plataformas escaláveis, governança e qualificação de equipes, com foco na segurança da implementação. Paralelamente, a expansão da IA voltada ao público introduz um novo problema de segurança: os ataques de exaustão de custos. O Gartner prevê que 80% das organizações que utilizam IA pública sofrerão esse tipo de ataque até 2030, onde agentes mal-intencionados deliberadamente elevam o consumo de IA para aumentar as despesas operacionais. Tokens e padrões de uso se tornarão simultaneamente elementos de custo e segurança, demandando monitoramento e controles específicos.

Ciclo de Vida de Aplicações e Empresas como Fornecedoras de Energia

A facilidade de desenvolvimento de software impulsionada pela IA deve alterar o ciclo de vida das aplicações. O Gartner projeta que 80% das novas aplicações serão intencionalmente descartáveis até 2029, com vida útil inferior a um ano, criadas para resolver necessidades específicas e de curto prazo. Isso gera desafios de segurança, conformidade e governança, especialmente ao acessar dados sensíveis. Além disso, a expansão da IA transformará a relação das empresas com o setor elétrico. Até 2030, US$ 10 trilhões em energia pertencente a empresas podem converter companhias do Global 2000 em fornecedoras para redes elétricas e data centers de IA. O aumento da demanda por eletricidade impulsiona investimentos em geração, armazenamento e gestão de energia, tornando a linha entre consumidores e fornecedores menos definida.

Seguradoras e a Governança de IA

O Gartner também antecipa um papel mais relevante para as seguradoras na definição de práticas de governança de IA até 2030, superando, em alguns aspectos, a influência dos órgãos reguladores. Essa projeção se baseia na necessidade de critérios mais rigorosos para a contratação de seguros de responsabilidade civil associados à IA. Para mitigar riscos e custos de cobertura, as empresas serão pressionadas a demonstrar mecanismos de supervisão e controle mais robustos. A análise do Gartner sugere um futuro onde a IA não apenas automatiza tarefas, mas remodela fundamentalmente a estrutura de negócios, a segurança cibernética e a interação entre empresas, governos e o setor energético.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · TIInside