Geadas tardias e o clima adverso registrado nas últimas semanas na Argentina já causam perdas significativas na safra de trigo 2026/27. Em algumas regiões produtoras, os danos chegam a 15%, conforme relatório da Bolsa de Cereais de Buenos Aires (BdeC) divulgado nesta quinta-feira. Apesar dos prejuízos localizados, a BdeC, por ora, manteve sua estimativa de produção do cereal em 23,4 milhões de toneladas. Contudo, a entidade ressalta que a persistência de condições desfavoráveis, como as baixas temperaturas recentes, chuvas e dias com pouca exposição solar, pode comprometer o potencial de rendimento.

O Clima que Ameaça a Colheita

A Argentina, um dos principais exportadores globais de trigo e o maior fornecedor para o Brasil, enfrenta um cenário climático desafiador. As geadas tardias, que ocorrem fora de época e atingem as lavouras em fases críticas de desenvolvimento, representam um risco considerável. Embora a BdeC afirme que "as condições do cultivo não refletem alterações consideráveis" em nível nacional, a ressalva sobre o potencial de rendimento caso as adversidades persistam é um alerta importante. A colheita do trigo na Argentina tem início em novembro, o que significa que ainda há um período de incerteza pela frente.

Implicações para o Mercado Global e o Brasil

Qualquer redução significativa na produção argentina tem repercussões diretas no mercado internacional de trigo. O país sul-americano é um player crucial na oferta global, e o Brasil, dependente em grande parte das importações argentinas, sente especialmente qualquer flutuação. A Bolsa de Comércio de Rosário, outra importante entidade do setor, já elevou sua estimativa para a safra de trigo para 23,8 milhões de toneladas, indicando uma visão ligeiramente mais otimista, mas ainda sujeita aos desdobramentos climáticos.

Plantio de Milho Atrasado

Além do trigo, o clima adverso também afeta o plantio de milho da safra 2026/27. Nas regiões oeste e sul da zona agrícola argentina, as baixas temperaturas e a umidade excessiva estão atrasando o plantio, que, segundo a BdeC, está implantado em apenas 39,8% da área prevista. A Argentina é o terceiro maior exportador mundial de milho, e um atraso no plantio pode impactar a produtividade e a oferta futura.

Perguntas em Aberto

A principal questão agora é se as condições climáticas se estabilizarão nas próximas semanas, permitindo que a safra de trigo atinja seu potencial máximo, ou se as perdas se agravarão. Acompanhar os relatórios da BdeC e outras entidades, bem como as previsões meteorológicas, será crucial para entender a dimensão final do impacto na oferta global de trigo e milho. Para o Brasil, a atenção se volta para a necessidade de diversificar fornecedores ou garantir acordos que mitiguem os riscos de abastecimento.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times