A indústria europeia de bens de consumo pisa no freio. A incerteza geopolítica consolidou-se como o principal risco para o setor, segundo um novo relatório da consultoria Oliver Wyman. O pessimismo é palpável: 39% dos líderes empresariais da região não preveem crescimento para este ano, e outros 10% já se preparam para estagnação ou queda de receita.
O quadro não reflete apenas um momento de cautela. Os dados sugerem uma perda de dinamismo estrutural em relação a outras potências globais. Enquanto a Europa patina, seus concorrentes na América do Norte e na China aceleram, levantando questões sobre a capacidade do bloco de manter sua relevância industrial em um cenário global cada vez mais fragmentado.
O placar da competitividade
Os números são sóbrios. Em 2024, o valor de mercado das empresas industriais europeias cresceu apenas 4%, um desempenho muito aquém da média de 11% registrada na última década. A comparação com outros mercados é ainda mais dura: no mesmo período, o setor cresceu 16% na América do Norte e 17% na China. Esse descompasso se reflete na confiança dos executivos, que rebaixaram a nota do ambiente de negócios de 6,5 para 5,4 em uma escala de 10, de acordo com a reportagem da Forbes España.
A resposta das companhias a este cenário é uma busca por resiliência. Muitas estão acelerando estratégias de "regionalização", um movimento para encurtar cadeias de suprimentos, reduzir a dependência de geografias instáveis e, ao mesmo tempo, acessar mercados com maior potencial de crescimento. É uma manobra defensiva para se blindar de choques geopolíticos, mas que também evidencia a percepção de que o motor de crescimento europeu está engasgado.
A divergência de desempenho entre os blocos econômicos é mais do que uma estatística de mercado; é um sintoma de uma possível reconfiguração das placas tectônicas da indústria global. A regionalização pode mitigar riscos, mas a questão que fica é se será suficiente para a Europa recuperar a iniciativa e competir de igual para igual em um jogo cuja velocidade é ditada, cada vez mais, por Washington e Pequim.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España




