A Global Energy Services (GES) projeta um crescimento superior a 20% em seu volume de negócios no setor de instalação eólica até 2026. Atualmente, a empresa mantém uma carteira contratada para a instalação de 127 turbinas em mercados estratégicos como Espanha, França, Itália e Portugal, totalizando uma capacidade instalada superior a 540 MW.

O movimento reflete uma estratégia de expansão operacional baseada na especialização técnica e na capacidade de atender múltiplos países simultaneamente. Segundo dados da companhia, a eficiência logística permitiu não apenas o cumprimento de metas em mercados consolidados, mas também um aumento expressivo de 125% no quadro de funcionários, entre contratações diretas e indiretas, ao longo deste ano.

Dinâmica de mercado e especialização

A transição para turbinas de maior porte, com potências unitárias que já superam os 7 MW, impõe novos desafios operacionais e exige maior flexibilidade das empresas de instalação. A GES tem investido na adaptação de seus processos para acomodar essa mudança tecnológica, que hoje já representa mais de 70% da demanda por montagem de aerogeradores acima de 4 MW.

A capacidade de resposta a cronogramas complexos e a diversidade de tecnologias instaladas tornaram-se diferenciais competitivos. A empresa, que acumula a instalação de mais de 7.400 turbinas em três décadas, atua como um elo crítico na cadeia de suprimentos de grandes fabricantes globais que buscam parceiros capazes de operar em diferentes jurisdições com padrões rigorosos de segurança.

Circularidade e novos horizontes

Além da instalação, a companhia integra serviços de desmantelamento e repotenciamento, alinhando-se às exigências de sustentabilidade do ciclo de vida dos ativos eólicos. A colaboração com o CL Grupo Industrial, holding à qual pertence, facilita a reciclagem de materiais e a gestão logística, reforçando o modelo de economia circular que ganha tração na Europa.

Para 2027, a GES já prospecta oportunidades em mercados emergentes, incluindo o Norte da África, Europa do Leste e México. A aproximação com tecnólogos americanos e europeus que licitam projetos nessas regiões sugere que a empresa está se posicionando para capturar a demanda em mercados onde a infraestrutura renovável ainda carece de escala.

Desafios operacionais e competitividade

O mercado de instalação onshore, embora maduro, enfrenta pressões crescentes por custos e eficiência. A alta competição na Península Ibérica, onde o número de turbinas instaladas cresceu sob forte disputa, força os players a buscarem diferenciais em serviços de valor agregado, como a homologação de protótipos e a gestão de ativos complexos.

A dependência de relações sólidas com fabricantes de equipamentos originais (OEMs) permanece como um ponto central. A capacidade de manter a viabilidade econômica diante da volatilidade dos preços de componentes e da necessidade de equipes altamente qualificadas definirá o sucesso de longo prazo dos instaladores independentes no setor.

Perspectivas futuras

A incerteza sobre a velocidade da transição energética global e as mudanças regulatórias nos países-alvo continuam sendo variáveis de risco. A estratégia da GES de diversificação geográfica parece ser a resposta para mitigar a dependência de mercados europeus que, embora estáveis, apresentam margens cada vez mais comprimidas pela concorrência.

O monitoramento da evolução dos projetos de repotenciamento e a entrada em novos mercados emergentes indicarão se a escala alcançada pela empresa será suficiente para sustentar a margem de crescimento projetada. A capacidade da companhia em manter a segurança operacional enquanto escala sua presença global será o principal indicador de desempenho nos próximos trimestres.

O cenário para os próximos anos sugere um mercado de instalação eólica em constante busca por maior eficiência logística e técnica, onde a escala operacional se torna um fator decisivo para a sobrevivência e o crescimento. O posicionamento da GES reflete uma tentativa de equilibrar a demanda por grandes projetos com a necessidade de inovação contínua.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España