O otimismo dos gestores com o mercado brasileiro deve ganhar força significativa após o primeiro turno das eleições em outubro, segundo a pesquisa mensal do Bank of America (BofA) com investidores da América Latina. O levantamento, que antecipa o sentimento do mercado, revela uma forte expectativa de alta: 85% dos entrevistados projetam que o Ibovespa (IBOV) encerrará 2026 acima dos 200 mil pontos, uma mudança drástica em relação aos 46% que mantinham essa visão na sondagem anterior. Além disso, 41% já apostam que o índice superará os 220 mil pontos até o fim do ano, contra apenas 10% no mês passado. A confiança pré-eleitoral já é notável. Mais da metade dos gestores afirmou que aumentaria a exposição à bolsa brasileira nos níveis atuais, sinalizando uma percepção construtiva para os ativos domésticos mesmo antes da definição do pleito.
Projeções Pós-Eleitorais e o Ibovespa
A pesquisa do BofA evidencia uma mudança significativa no sentimento projetado dos gestores. A perspectiva de um cenário político mais previsível após o ciclo eleitoral é o principal catalisador dessa confiança. A projeção de 85% dos participantes para um Ibovespa acima de 200 mil pontos em 2026 demonstra uma expectativa de valorização substancial, refletindo a crença em um ambiente macroeconômico mais favorável, possivelmente impulsionado pela continuidade de juros em queda e controle inflacionário.
Apetite por Risco e Setores em Destaque
O aumento do apetite por risco é outra constatação marcante da pesquisa. Os níveis médios de caixa dos fundos caíram para 4,4%, o menor patamar desde fevereiro de 2025, indicando que os gestores já estão alocando mais capital em ativos de maior volatilidade. A estratégia preferida de ações de alto beta sugere uma aposta em empresas que tendem a se beneficiar em períodos de maior liquidez e confiança do mercado. No cenário setorial, o consumo discricionário emergiu como um dos mais atrativos, ao lado de utilities e financeiras, indicando uma aposta na recuperação do poder de compra e no dinamismo da atividade econômica doméstica.
Cenário Macroeconômico e Riscos Externos
A expectativa de continuidade na queda da Selic, com 85% dos gestores prevendo ao menos mais um corte este ano e 54% apostando em um ciclo mais profundo, sustenta a visão positiva para ativos de risco. A inflação comportada e a melhora do ambiente político são vistos como fatores chave para um afrouxamento monetário mais acentuado. Contudo, o principal risco apontado pelos gestores para os mercados latino-americanos continua sendo o cenário externo, com os juros elevados nos Estados Unidos como a maior ameaça, reiterando a sensibilidade da região a movimentos da política monetária americana.
Perspectivas Regionais e o Cobre
Fora do Brasil, a pesquisa também aponta mudanças. A Argentina mostra um sentimento mais positivo, com 41% dos investidores acreditando em melhora dos ativos locais. Entre os mercados andinos, o Chile mantém sua posição como favorito. No entanto, uma alta mais forte dos preços do cobre é identificada como um risco relevante para a região, evidenciando a interconexão entre os mercados de commodities e o desempenho de economias emergentes.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times — Mercados





