O Ghibli Park, parque temático do Studio Ghibli na província de Aichi, no Japão, anunciou que sua próxima expansão será dedicada a uma de suas obras mais seminais e, até agora, intocáveis: Nausicaä no Vale do Vento. A nova área temática preenche uma lacuna notável no cânone do estúdio, mas o verdadeiro fato noticioso é a reviravolta na postura da própria Ghibli.

Segundo reportagem do Hypebeast, a mudança de posição foi drástica. O governador de Aichi, Hideaki Omura, afirmou em coletiva de imprensa que, no passado, o estúdio simplesmente "não nos deixava tocar em Nausicaä". A surpresa é que, desta vez, a proposta de tematizar a nova área com o filme de 1984 partiu da própria Ghibli durante as conversas conceituais, transformando um veto histórico em uma iniciativa própria.

O filme-matriz ganha um lar

A decisão tem um peso simbólico imenso. Lançado antes da fundação formal do Studio Ghibli, Nausicaä é amplamente considerado o filme-matriz do estúdio. Foi o projeto que reuniu a equipe criativa que formaria o núcleo fundador da Ghibli e deu a Hayao Miyazaki sua primeira oportunidade de realizar uma visão ambiciosa com um orçamento adequado. Sua ausência no parque, que já conta com áreas dedicadas a Meu Amigo Totoro e Princesa Mononoke, sempre foi sentida.

A resistência anterior do estúdio sugeria uma vontade de proteger a integridade da obra, talvez por considerá-la uma entidade separada da marca Ghibli. A inversão de agora, contudo, sinaliza uma reavaliação do próprio legado. Ao propor ativamente a inclusão de Nausicaä, o estúdio não apenas reconhece sua importância, mas a eleva a pilar fundamental de seu universo, tratando sua própria origem não como um prólogo, mas como um capítulo essencial a ser celebrado.

Design a serviço da imersão e do clima

Do ponto de vista prático, a nova zona será a segunda área totalmente coberta do Ghibli Park, depois do Grande Armazém Ghibli. A escolha é estratégica e responde a dois desafios claros: a dificuldade de recriar as vastas paisagens desérticas do filme ao ar livre e o calor cada vez mais intenso e perigoso do verão japonês. É uma solução pragmática que prioriza o conforto dos visitantes e a viabilidade operacional.

Este formato abre portas para uma imersão mais profunda. Ambientes internos permitem um controle total sobre iluminação, cenografia detalhada e efeitos visuais que podem simular a sensação de voo, central na narrativa do filme. O material de divulgação, que inclui uma imagem de Nausicaä encontrando um Ohm — uma das criaturas gigantes da história —, reforça a expectativa de uma experiência mais focada em contar histórias do que em simples réplicas arquitetônicas.

Ainda sem data de estreia, a expansão de Nausicaä representa mais do que um novo conjunto de atrações. É um movimento que consolida a identidade do Ghibli Park como um arquivo vivo e completo do imaginário do estúdio, finalmente fazendo as pazes com sua própria gênese e trazendo sua obra mais complexa para o centro do palco.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Hypebeast