A Globant, gigante argentina de serviços de tecnologia, anunciou a promoção de Fernando Matzkin ao cargo de Chief Operating Officer (COO). Matzkin, um executivo com 17 anos de casa, assume a nova posição com um mandato claro: acelerar a transição da companhia para a era da inteligência artificial.
O movimento não é uma simples troca de cadeiras. A nomeação, reportada pela Forbes España, sinaliza a urgência da Globant em reestruturar suas operações para capitalizar sobre a demanda por serviços 'nativos de IA'. A tese é que a próxima geração de consultoria não será sobre adicionar IA a processos existentes, mas construí-los do zero com IA no centro.
A estratégia por trás da promoção
A escolha de um veterano como Matzkin, que já liderou as áreas de receita e negócios para mercados cruciais como Estados Unidos e Europa, é estratégica. Em vez de buscar um nome externo, a Globant aposta em um profundo conhecedor de sua cultura e de seus clientes para liderar uma transformação complexa. O recado é que a mudança será executada de dentro para fora, com foco em traduzir a visão estratégica em performance comercial.
O plano se apoia em produtos como a plataforma Glob.AI e os 'AI Pods', unidades especializadas em projetos de inteligência artificial. A missão de Matzkin será integrar essas ferramentas de forma mais profunda na entrega de serviços, evoluindo o modelo operacional da empresa para que a IA não seja um complemento, mas o pilar central da oferta, como afirmou o próprio executivo ao assumir o cargo.
O desafio da escala
Para uma empresa do porte da Globant, com presença global e milhares de funcionários, a transição para 'AI-Native' é um desafio monumental. Não se trata apenas de treinar equipes, mas de repensar fundamentalmente a alocação de recursos, os modelos de precificação e a própria relação com os clientes, que agora esperam soluções com inteligência embarcada desde o primeiro dia.
O movimento da Globant reflete uma pressão que atinge todo o setor de consultoria e serviços de TI, incluindo players como Accenture e a brasileira CI&T. A corrida não é mais apenas para 'implementar IA', mas para se tornar uma organização que pensa e opera nativamente em IA. A promoção de Matzkin é a aposta da Globant para garantir que sua execução esteja à altura da ambição declarada em sua 'Visão 2030'.
A nomeação de um COO com foco explícito em IA é um sinal claro de que a fase de experimentação está terminando. Para a Globant e seus concorrentes, a era da execução em escala começou. O sucesso dependerá menos da qualidade dos algoritmos e mais da capacidade de transformar a própria organização para entregar o valor prometido pela nova tecnologia.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





