O ambicioso plano do Google de expandir sua infraestrutura de centros de dados na Espanha, que envolvia investimentos de bilhões de dólares, foi colocado em suspenso. A decisão da gigante tecnológica reflete a crescente incerteza regulatória no país, especialmente em relação a um novo Real Decreto que o governo espanhol está preparando para normatizar as condições ambientais e de sustentabilidade energética para esses complexos. A notícia, adiantada pelo jornal El Mundo, indica que a Alphabet, controladora do Google, decidiu aguardar a publicação dos detalhes da nova legislação antes de prosseguir com seus projetos de ampliação de capacidade de processamento na Espanha.
O Fator Regulatório e a Sustentabilidade
A principal causa para a pausa nos investimentos é o iminente Real Decreto, que, segundo o rascunho divulgado, exigirá que os centros de dados cubram 80% de seu consumo com novas fontes de energia renovável, com essa meta a ser cumprida hora a hora, e não como uma média anual. Essa exigência, aliada à necessidade de evitar o aumento da conta de luz, tem gerado grande apreensão no setor. A patronal SpainDC, da qual o Google faz parte, alerta que tais regras podem tornar muitos projetos mais caros ou simplesmente inviáveis. O governo, por sua vez, busca equilibrar o avanço tecnológico com a necessidade de garantir um fornecimento energético sustentável e acessível, especialmente diante de uma demanda crescente que já supera a capacidade de oferta prevista.
A Corrida por Capacidade de Processamento
A Alphabet elevou sua previsão de gastos para este ano, indicando um montante entre US$ 195 bilhões e US$ 205 bilhões, e admitiu que a demanda por inteligência artificial (IA) está superando sua capacidade de processamento atual. Nesse cenário de alta demanda, países como a Finlândia se destacam, com o Google anunciando um investimento de € 13 bilhões no país nórdico, a maior aplicação histórica da empresa na Europa, garantindo inclusive o fornecimento de energia por meio de uma central nuclear. A Espanha, que possuía um centro de dados em Madri e planejava um novo campus tecnológico na Cantábria para o cabo submarino Sol, agora vê esses planos adiados, enquanto concorrentes como a Amazon mantêm compromissos de investimento significativos em outras regiões, como Aragão.
Lobby e Negociações em Madrid
Diante da iminente regulamentação, empresas como o Google não ficaram paradas. Figuras como Kent Walker, chefe global de assuntos públicos da Google, se reuniram com o presidente da Comissão Nacional dos Mercados e da Concorrência (CNMC) para discutir as implicações do decreto. Embora a CNMC tenha afirmado que a conversa foi sobre concorrência, um relatório posterior da entidade solicitou flexibilização de algumas exigências do rascunho, alertando que o texto atual pode colocar em risco entre 80% e 90% do novo investimento previsto para o setor. Begoña Villacís, diretora executiva da SpainDC, expressou preocupação, sugerindo que os investimentos podem ser redirecionados para outros países.
Um Futuro Incerto para a Infraestrutura Digital
O governo espanhol trabalha contra o tempo para aprovar o decreto antes das eleições de 29 de novembro, enfrentando mais de 600 alegações e a necessidade de aprovação do Conselho de Estado. Há indicativos de que o executivo pode suavizar algumas exigências, especialmente se os centros de dados não contribuírem para o encarecimento da energia. No entanto, o Google, por enquanto, mantém sua carteira fechada, aguardando clareza regulatória. A decisão da gigante tecnológica levanta questionamentos sobre o futuro da infraestrutura digital na Espanha e sua capacidade de atrair investimentos em um setor cada vez mais competitivo e crucial para o desenvolvimento tecnológico global.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Xataka





