A Greening, player do setor de energias renováveis listado na BME Growth, obteve nesta segunda-feira o respaldo de sua junta de acionistas para avançar com a oferta pública de aquisição (OPA) sobre a Energy Solar Tech. A transação, que avalia a companhia em cerca de 85 milhões de euros, representa um passo decisivo na estratégia de expansão e consolidação da empresa sediada em Granada.

Além do aval para a aquisição, os acionistas aprovaram um aumento de capital de 30 milhões de euros. A medida visa fortalecer a estrutura financeira do grupo e viabilizar a integração de ativos que prometem maior previsibilidade de caixa, conforme detalhado em comunicado oficial emitido pela companhia durante a assembleia.

Consolidação e mudança de rota

A operação reflete uma mudança de curso na Greening, que sob o comando do CEO Pablo Otín, tem buscado transitar para um modelo de negócio focado em maior recorrência de receitas. A empresa, que recentemente nomeou Otín e o CFO Felipe García Agustín para liderar esta fase, entende que o mercado atual exige uma base de ativos mais estável para sustentar o crescimento de longo prazo.

A estratégia, delineada no plano 2026-2030, prioriza o mercado europeu, com foco em Espanha e Itália. A desinversão de ativos solares nos Estados Unidos e a recente OPA sobre a EIDF, concluída anteriormente, demonstram a intenção da gestão em refinar o portfólio e concentrar recursos em infraestruturas de maior valor estratégico e operacional.

A mecânica da transação

A oferta pela Energy Solar Tech prevê a entrega de 0,9546 ações da Greening para cada título da adquirida. A transação oferece um prêmio de 41% sobre a cotação de mercado anterior ao anúncio da operação. Caso a oferta seja bem-sucedida, a estrutura de controle da Greening será alterada, com 69% do capital social mantido pelos atuais acionistas da empresa andaluza e 31% passando para os investidores da Energy Solar Tech.

O sucesso da operação está condicionado à aceitação de pelo menos 50% dos acionistas da Energy Solar Tech e à obtenção das autorizações regulatórias necessárias. A expectativa é que a liquidação ocorra em um prazo de dois meses, consolidando a integração das unidades industriais que a Energy Solar Tech possui na Corunha e em Leão.

Implicações para o setor

A aquisição permite à Greening escalar capacidades técnicas em subestações e equipamentos modulares, um diferencial competitivo em um momento de alta demanda por infraestrutura ligada à eletrificação e centros de dados. Para o mercado, a movimentação sinaliza que a consolidação é a via escolhida para enfrentar a pressão por margens e a necessidade de escala no setor de renováveis.

Para os concorrentes, a formação de uma plataforma integrada com maior visibilidade financeira coloca a Greening em um patamar de disputa superior. O mercado observará como a empresa gerenciará a integração cultural e operacional de duas companhias listadas, enquanto tenta cumprir as metas ambiciosas de 346 MW de capacidade instalada até 2030.

O horizonte de 2030

O futuro da Greening parece atrelado à capacidade de execução deste modelo mais previsível. As projeções financeiras para 2030, que apontam para vendas superiores a 139 milhões de euros e um Ebitda de 35 milhões, dependem estritamente da eficácia na integração dos novos ativos e da manutenção da disciplina de capital demonstrada nos últimos meses.

A dúvida central que permanece é se o mercado de capitais espanhol reagirá positivamente à diluição e ao novo perfil de risco da empresa após a conclusão dessas aquisições. A capacidade da gestão em transformar promessas estratégicas em resultados recorrentes será o principal termômetro para os próximos trimestres.

O setor elétrico europeu vive um momento de intensa reconfiguração, onde a escala e a diversificação de ativos passam a ser mais valorizadas do que o crescimento acelerado, porém volátil, visto em ciclos anteriores. A Greening aposta que a integração de competências industriais será o diferencial para manter a relevância em um ambiente de transição energética cada vez mais competitivo.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España