A TIC Trens, joint venture formada pelo Grupo Comporte e pela estatal chinesa CRRC, confirmou o cumprimento do cronograma para a implantação do Trem Intercidades Eixo Norte e do Trem Intermetropolitano em São Paulo. O projeto, que contempla a modernização da Linha 7 – Rubi, exige um investimento total de R$ 14 bilhões até 2031, posicionando-se como um dos maiores desafios de mobilidade urbana no Brasil atual.
Segundo reportagem do Brazil Journal, a parceria estratégica combina a experiência em obras civis da família Constantino, detentora de 60% da companhia, com a capacidade produtiva da CRRC, que detém os 40% restantes. A sinergia tem sido testada na prática, com a empresa chinesa fornecendo não apenas os trens e sistemas de sinalização, mas também suporte financeiro crucial para viabilizar as garantias necessárias junto a bancos internacionais.
A força da escala chinesa
A participação da CRRC, maior produtora de insumos ferroviários do mundo, vai além do fornecimento de equipamentos. A empresa, que detém uma fatia expressiva do mercado global de trens, está em sua primeira experiência como investidora direta no Brasil. Além da produção de componentes na China, a companhia inaugurou uma fábrica em Araraquara, reforçando a estratégia de nacionalização de parte da frota.
Para a diretoria da TIC Trens, a velocidade de resposta do sócio oriental tem sido um diferencial para manter o cronograma. Em visitas técnicas, a gestão observou a capacidade de montagem industrial da CRRC, capaz de converter partes isoladas de chassis em locomotivas prontas em prazos exíguos. Esse suporte técnico é fundamental para a complexidade da obra paulista, que exige coordenação precisa em um ambiente de operação ferroviária já existente.
Mecanismos de financiamento
A estrutura financeira do projeto é um dos pilares de sua viabilidade. A TIC Trens já captou R$ 600 milhões via empréstimo-ponte com o Santander e o banco chinês ICBC. Atualmente, a empresa está na reta final de negociações para um financiamento de longo prazo de R$ 6 bilhões junto ao BNDES, com a expectativa de assinatura até o final de 2026.
A operação financeira é complexa e envolve múltiplas camadas. Além do BNDES, o Banco de Desenvolvimento da China e outros bancos comerciais chineses devem atuar no suporte ou na oferta de garantias. Adicionalmente, a empresa obteve autorização para captar R$ 7,8 bilhões através de debêntures incentivadas, aproveitando o enquadramento do projeto como prioritário para a mobilidade urbana nacional.
Desafios de engenharia e stakeholders
A complexidade da obra reside, em grande parte, na necessidade de modernizar a Linha 7 – Rubi enquanto o serviço de transporte de passageiros permanece ativo. O CEO da TIC Trens, Pedro Moro, descreve o processo como um "balé" operacional, exigindo precisão absoluta na execução das obras de terraplanagem e drenagem, que já estão em fase de avanço no trecho entre Campinas e Jundiaí.
Para o governo estadual, o projeto representa uma PPP de 30 anos com contraprestação de R$ 8,06 bilhões. O sucesso da empreitada é acompanhado de perto por reguladores e pelo mercado de infraestrutura, que enxergam no modelo da TIC Trens um possível paradigma para futuras concessões ferroviárias no País, dada a combinação de financiamento público, mercado de capitais e aporte industrial estrangeiro.
Perspectivas para o setor ferroviário
O cenário atual é visto como um dos mais promissores das últimas décadas. Com a entrega do Trem Intermetropolitano prevista para 2029 e a conclusão do expresso para Campinas em 2031, o setor aguarda para ver como a integração entre sistemas chineses e a malha paulista se comportará em escala plena.
O que permanece em aberto é a capacidade de manter o rigor dos prazos frente a eventuais desafios macroeconômicos ou de logística interna. Acompanhar a evolução das obras e o fechamento do financiamento de longo prazo com o BNDES será o próximo passo para confirmar a solidez deste modelo de parceria público-privada.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Brasil Journal Tech




