O Grupo IFA, uma das principais forças do varejo alimentar na Península Ibérica, encerrou o exercício de 2025 com um faturamento consolidado de 45,57 bilhões de euros. O desempenho, que abrange operações na Espanha, Itália e Portugal, representa um incremento de 5,4% em comparação ao ano anterior, consolidando a companhia em um cenário de intensa pressão competitiva e consolidação de mercado.

Na Espanha, o grupo atingiu 19,15 bilhões de euros em vendas, um crescimento de 5,2%. Segundo reportagem da Forbes España, o resultado é sustentado por um modelo de negócio que privilegia a autonomia de operadores regionais sob uma estrutura de gestão centralizada, permitindo que marcas como Ahorramás, Bon Preu e Dinosol mantenham relevância local enquanto ganham escala global.

A força das marcas de fabricante

Um dos pilares centrais da estratégia do Grupo IFA é a aposta contínua nas marcas de fabricante, que representam 78,1% das vendas totais. Em um momento em que redes de supermercados globais priorizam suas marcas próprias para aumentar margens, o grupo mantém uma postura distinta. Com uma participação de mercado de 20,3%, a organização se posiciona como a principal plataforma comercial para marcas de consumo na região.

O crescimento de 5,7 pontos percentuais na relevância dessas marcas ao longo dos últimos 13 anos, conforme dados da NielsenIQ, sugere uma preferência persistente do consumidor ibérico pela diversidade de escolha. Ao evitar a dependência exclusiva de marcas próprias, o IFA consegue diferenciar sua oferta comercial, adaptando-se com agilidade às tendências de consumo específicas de cada território onde atua.

Mecanismos de eficiência e escala

O sucesso operacional do grupo reside na capacidade de explorar sinergias entre seus associados. Embora cada operador regional possua liberdade para gerir sua proposta comercial, a centralização de projetos estratégicos permite que o grupo compita em pé de igualdade com gigantes do setor. Essa dinâmica é potencializada pela expansão da superfície comercial, que alcançou 7,6 milhões de metros quadrados no âmbito global.

Além disso, o grupo investe em inteligência de dados para fortalecer a cadeia de valor. O projeto 'IFA Delfos', focado no compartilhamento de dados com fabricantes, otimiza a gestão comercial e a eficiência das ações de venda. A iniciativa ilustra como o varejo tradicional está integrando ferramentas de análise para sustentar o crescimento de categorias em um ambiente altamente volátil.

Impacto socioeconômico e emprego

O peso do Grupo IFA na economia regional é significativo, figurando entre os cinco maiores geradores de emprego na Espanha, com mais de 88 mil colaboradores no país. O impacto total, que chega a 153 mil trabalhadores considerando a operação nos três países, reflete a capilaridade da rede em suas regiões de influência. Segundo análise da KPMG, o grupo contribui com cerca de 0,7% do PIB espanhol.

Para os reguladores e concorrentes, o modelo do IFA serve como um contraponto ao movimento de fusões desenfreadas. Ao manter operadores regionais fortes e vinculados ao território, a empresa consegue preservar uma capilaridade que as grandes cadeias globais muitas vezes perdem ao padronizar excessivamente suas operações, criando uma barreira competitiva baseada na proximidade.

Inovação e o futuro do varejo

A incerteza reside na capacidade de manter esse modelo frente à aceleração da digitalização e à entrada de novos players tecnológicos. O lançamento da plataforma 'IFA Start' mostra que a empresa busca mitigar esse risco ao conectar-se com startups para resolver desafios logísticos e de experiência do cliente. O que resta observar é se a colaboração aberta será suficiente para manter a competitividade a longo prazo.

A trajetória do Grupo IFA sugere que a escala, quando aliada à identidade local, ainda oferece uma vantagem competitiva relevante. O desafio para os próximos anos será equilibrar a eficiência da centralização com a necessidade de inovação constante em um mercado europeu cada vez mais polarizado entre o preço baixo e a conveniência.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España