Hasan Minhaj, conhecido por sua sagacidade e comentários afiados, encontra um terreno fértil para suas reflexões mais doces na culinária. Em uma conversa que transita entre o humor e a nostalgia, o comediante e ator eleva o cereal a um patamar inesperado: a maior conquista dos Estados Unidos. Para Minhaj, a simplicidade e a ubiquidade de caixas coloridas de Golden Grahams ou Honey Bunches of Oats representam um feito cultural digno de celebração, especialmente em um país que se aproxima de seu 250º aniversário. "Eu já fui pego muitas vezes com a pata inteira dentro de alguns Golden Grahams, atacando", confessa, revelando um hábito de comer o cereal direto da caixa, sem leite, como um lanche de conforto em momentos de estresse, enquanto assiste a dramas televisivos.
Essa paixão pelo cereal se alinha com sua filosofia de vida e culinária: ser um maximalista. Minhaj busca "sentir as coisas em letras maiúsculas", aplicando essa intensidade a tudo, desde o nível de pimenta em sua comida até a profundidade de suas experiências. Essa busca por sabor e robustez se estende a outros favoritos, como a simplicidade reconfortante do dal chawal de sua mãe, que ele descreve como "puro comfort food e minha linguagem de amor". O macarrão com queijo, em todas as suas formas, do Kraft de caixa à versão festiva de Ação de Graças, também figura em sua lista de prediletos, demonstrando uma apreciação pela diversidade e pela capacidade da comida de evocar memórias e sentimentos.
A Intensidade do Sabor e a Linguagem do Amor
A relação de Minhaj com a comida é intrinsecamente ligada à família e à cultura. O dal chawal, um prato simples de lentilhas e arroz, transcende a mera nutrição; é um gesto de amor incondicional de sua mãe, um ritual que une gerações. "É essa bela demonstração de amor que eu estou comendo dal chawal com minha mãe, e os netos dela estão comendo com ela ao mesmo tempo", reflete. Essa conexão afetiva com a comida caseira é um tema recorrente, culminando em sua admiração pela biryani de sua avó, um prato que ele associa a celebrações familiares e momentos felizes. A biryani, descrita como "o crème de la crème e o chef's kiss da culinária indiana", representa não apenas sabor, mas o tempo, a energia e o amor investidos em sua preparação.
Sua intensidade se manifesta também em sua aposta como investidor e parceiro na Kolkata Chai, uma empresa de chá de Nova York. Ele vê o chai como um "ponto de entrada para fofocas" e um símbolo de "comiseracão, comunidade e amor em lares indianos". Ao trabalhar com os irmãos Sanyal para expandir o alcance da bebida, Minhaj busca oferecer uma alternativa autêntica às experiências de chai mais padronizadas, como as encontradas em redes de fast-food. A ideia é que as pessoas possam "explorar e fazer [o chai] do seu jeito", mudando a perspectiva sobre uma cultura inteira através de uma bebida.
Da Infância à Parentalidade: Adaptações Culinárias
As memórias de infância de Minhaj incluem as primeiras aventuras culinárias, como a preparação de um Strawberry Toaster Strudel, que ele descreve como uma experiência "abridor de olhos" e um feito de "mestre confeiteiro". Essa autonomia precoce na cozinha contrasta com os desafios que enfrentou como criança, quando sua mãe o incentivava a comer ovos cozidos para garantir que ele tivesse energia para a escola. "Eu odiava ovos cozidos", admite, uma aversão que, como pai, ele agora tenta transpor para seus filhos.
Sua mais recente incursão na cozinha envolveu a adaptação dos ovos cozidos para torná-los mais palatáveis para sua filha. Ao pan-fritar os ovos, cortados ao meio com a gema para baixo, ele cria uma "crocância que o transforma em uma cobertura crocante, quase como um taco", que pode ser adicionada a pão e manteiga. Essa técnica, que ele compara ao processo de escrever uma piada ou roteirizar um filme, nasceu da necessidade de "dar a ela ovos de uma forma que não parecesse uma coisa mole que eu estava forçando nela". A abordagem, que transforma um alimento inicialmente rejeitado em um "lanchinho delicioso, quente e cremoso", demonstra sua habilidade em inovar e adaptar, buscando sempre a melhor forma de nutrir e agradar.
O Prazer de Ceder e a Busca por Experiências
A regra de não pedir sobremesas em restaurantes durante a infância se transformou, na vida adulta, em um dos maiores prazeres de Minhaj. Essa liberdade recém-descoberta o leva a um ritual de "mimo" onde ele e sua esposa, Beena, compartilham sobremesas. Mesmo que a lava cake de chocolate seja a favorita dela, ele está disposto a "pagar o preço" e pedir também uma torta de frutas vermelhas, apenas para experimentar ambos. Há um certo humor em sua confissão de olhar por cima do ombro, como se ainda pudesse ser repreendido pelos pais, agora que ele próprio é pai.
Quando se trata de entretenimento, Minhaj delega a tarefa musical à sua esposa, Beena, que é a "anfitriã principal" e "criadora do show". Ela é conhecida por suas festas temáticas, como o "Boo Bash" de Halloween, que envolve bandas ao vivo, máquinas de fumaça e detalhes elaborados. Minhaj se vê como o "showrunner", adicionando "pizzazz" enquanto Beena orquestra a experiência completa. Essa dinâmica reflete a maneira como eles abordam a vida e a hospitalidade, combinando a visão criativa com a execução prática, sempre buscando criar momentos memoráveis e intensos.
Ao refletir sobre refeições que valeriam um voo, Minhaj retorna à imagem de sua avó preparando biryani. A lembrança do vapor e do aroma que escapavam da panela, a ternura da carne cozida por horas, evoca um sentimento de amor e dedicação que ele descreve como "o sentimento que eu perseguiria e reservaria um voo imediatamente". Essa memória, encapsulada no conceito de "ghar ka khana" (comida de casa), representa a essência do que ele valoriza: a comida que é feita com tempo, energia e, acima de tudo, amor. A biryani, especialmente a de carne de cabra, era um prato de ocasião especial, associado à alegria e à união familiar, um testemunho do poder duradouro da comida para conectar as pessoas às suas raízes e aos seus entes queridos.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Saveur




