A Hikari no Yami, marca do designer Jakarie Whitaker, fez sua estreia oficial na New York Fashion Week com a coleção Primavera/Verão 2027, intitulada “Chapter 11: Parasite”. O desfile materializa uma visão que vinha sendo construída em campanhas anteriores, apresentando uma complexa rede de parcerias que desafiam a produção tradicional de moda.

A tese aqui não é apenas sobre novas silhuetas, mas sobre um novo método de criação. O nome “Parasite” parece ser uma metáfora para o próprio processo da marca: habitar e transformar estruturas preexistentes — sejam elas peças de vestuário clássicas ou tecnologias de manufatura — para gerar algo inteiramente novo. A estreia, segundo reportagem do Hypebeast, serve como um manifesto para um modelo de moda colaborativo e tecnologicamente integrado.

Simbioses Criativas

O pilar da coleção reside em suas parcerias multidisciplinares. A mais proeminente é com a Alpha Industries, cujas jaquetas de voo MA-1 e parkas militares foram desconstruídas e recriadas com técnicas de upcycling de desperdício zero de Whitaker. O movimento transcende uma simples colaboração de marca, tratando o arquivo de uma gigante militar como matéria-prima para uma nova expressão de luxo.

A dimensão tecnológica é ancorada pelos calçados da ALTER LAB, fabricados digitalmente através de impressão 3D. A essa base se somam intervenções artísticas e artesanais: camisas pintadas à mão com tinta Sumi pela artista Vanessa Vun, peças únicas em nylon japonês e chiffon de seda de estoques antigos pelo diretor de arte Alex Yarally, e esculturas anatômicas em resina da designer Cierra Calmeise. O resultado é uma simbiose entre o industrial, o digital e o manual.

Do Desfile ao Consumidor

O modelo de negócios espelha a filosofia do produto. A coleção “Parasite” será disponibilizada de forma limitada e sob encomenda, uma abordagem que se opõe diretamente ao ciclo do fast fashion e reforça a exclusividade e a sustentabilidade. A escolha do ponto de venda, a conceituada Dover Street Market em Ginza, além do e-commerce próprio, sinaliza o posicionamento da marca: um luxo de vanguarda, para um público que valoriza curadoria e processo.

Essa estratégia de distribuição não apenas mitiga o desperdício de produção, mas também cultiva uma relação mais direta e deliberada com o consumidor. Em vez de produzir em massa para um mercado anônimo, a Hikari no Yami propõe um ciclo onde a demanda informa a oferta, alinhando o ritmo comercial ao ritmo criativo.

O debute da Hikari no Yami na NYFW é menos sobre apresentar uma coleção e mais sobre validar um ecossistema. Um em que a moda não é um objeto isolado, mas o resultado de uma confluência de disciplinas, tecnologias e filosofias. O conceito de "parasita", nesse contexto, perde sua conotação negativa e se torna uma poderosa estratégia de inovação: uma forma de vida criativa que prospera ao se alimentar e reimaginar o existente.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Hypebeast