A fotografia do mercado de trabalho brasileiro em 2025 revela que 6,65 milhões de pessoas exercem suas funções predominantemente de casa, o que corresponde a 7,9% do total de ocupados. Embora este número represente uma consolidação em patamares superiores aos pré-pandemia, os dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados pelo IBGE, indicam uma tendência de recuo em algumas das principais capitais do país.

São Paulo, apesar de ainda concentrar o maior contingente absoluto de trabalhadores em home office, com 543 mil pessoas, tem visto essa liderança encolher. Em 2022, a capital paulista registrava 887 mil trabalhadores remotos, número que diminuiu progressivamente nos anos seguintes. O movimento de queda, embora em menor escala, também é observado no Rio de Janeiro, que em 2025 contava com 287 mil pessoas trabalhando de casa. O cenário de retração contrasta com o avanço de outras capitais, como Belo Horizonte, que ultrapassou Fortaleza e assumiu a terceira posição no ranking absoluto, com 168 mil trabalhadores remotos.

Panorama do Trabalho Remoto

O IBGE define o trabalho em home office com base na resposta do trabalhador sobre o local principal de exercício de sua atividade. Essa metodologia explica por que o percentual de 7,9% de trabalhadores em home office não abrange todos que realizam alguma forma de trabalho remoto, como aqueles em regimes híbridos que passam mais tempo no escritório. Em 2025, a maioria dos ocupados (60%) ainda trabalhava presencialmente no estabelecimento de seus empregadores, enquanto 13,8% exerciam a atividade em locais designados pelo patrão ou cliente. O trabalho em fazendas, granjas ou chácaras representava 8,4%, e apenas 7,9% se declaravam em home office.

Outros 5% utilizavam veículos como principal local de trabalho, 2,1% atuavam em áreas públicas, e os 2,6% restantes desempenhavam suas funções em locais como a casa do empregador ou estabelecimentos de terceiros. Essa distribuição detalhada oferece um panorama mais nuançado da diversidade de arranjos de trabalho no Brasil, indo além da dicotomia presencial versus remoto.

Mudanças nas Capitais e Proporções

A série histórica do IBGE, retomada em 2022 após interrupções em 2020 e 2021, permite analisar a evolução do home office nas capitais. São Paulo, que em 2022 liderava com folga, perdeu 344 mil trabalhadores remotos em três anos, caindo para 543 mil em 2025. O Rio de Janeiro também registrou um recuo, passando de 294 mil em 2022 para 287 mil em 2025, após um pico em 2023. Belo Horizonte, por sua vez, consolidou sua ascensão, atingindo 168 mil trabalhadores remotos no período e superando Fortaleza, que viu seu contingente cair de 144 mil para 117 mil.

Outras capitais como Brasília e Porto Alegre ganharam posições no ranking absoluto. Brasília alcançou 122 mil trabalhadores remotos em 2025, enquanto Porto Alegre registrou 115 mil, quase o dobro do número de 2022. Curitiba, que chegou a figurar entre as primeiras posições, terminou 2025 em sétimo lugar, com 106 mil trabalhadores, uma redução de vinte mil pessoas em relação a anos anteriores.

Porto Alegre Lidera em Proporção

Quando a análise considera a proporção de trabalhadores em home office em relação ao total de ocupados, o cenário se altera significativamente. Porto Alegre desponta como líder, com 18,7% de seus ocupados trabalhando de casa em 2025, quase um em cada cinco. A capital gaúcha supera Recife (15,4%) e Belo Horizonte (15,2%) nesse indicador. Florianópolis, que liderou o ranking proporcional por três anos, caiu para a quarta posição, com 13,7% em 2025, uma redução considerável em relação aos 19,8% de 2022.

O contraste com São Paulo é notável: apesar de liderar em números absolutos, a capital paulista aparece apenas na 18ª posição no ranking proporcional, com 9,3% de seus ocupados em home office. Essa proporção representa uma queda acentuada desde 2022, quando a cidade figurava em terceiro lugar com 15,9%. Belém e Vitória também apresentaram recuos expressivos na proporção de trabalhadores remotos.

Tendências Pós-Pandemia

Os dados do IBGE confirmam que o pico do trabalho remoto durante a pandemia não se manteve nos anos seguintes, mas o home office se consolidou em um patamar superior ao observado antes de 2020. Em 2019, 5,8% dos ocupados trabalhavam de casa. Em 2022, esse percentual saltou para 8,4%, e desde então tem oscilado em torno de 7,9%. A tendência de leve recuo sugere uma reacomodação do mercado de trabalho, com empresas e trabalhadores buscando novos equilíbrios entre flexibilidade e presença física.

O futuro do trabalho remoto no Brasil dependerá de uma série de fatores, incluindo a evolução tecnológica, as políticas empresariais e as preferências dos trabalhadores. A consolidação de modelos híbridos e a adaptação dos espaços de trabalho tradicionais parecem ser tendências que continuarão a moldar o cenário nos próximos anos, com diferentes impactos regionais e setoriais.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney