A Honeywell Technologies deu um passo audacioso no mercado de automação predial com o lançamento da Forge Cognition, sua primeira grande iniciativa em inteligência artificial desde a recente reestruturação da empresa. Desenvolvida em colaboração com gigantes da tecnologia como Nvidia e Dell, a plataforma se propõe a ser o "cérebro por trás do edifício", integrando agentes de IA e gêmeos digitais para otimizar os sistemas de climatização, segurança e energia de edifícios.
O Cérebro que Aprende, mas Obedece
A Forge Cognition opera em três modos: manual, semi-autônomo e autônomo. Contudo, o Chief Technology Officer (CTO) da Honeywell, Suresh Venkatarayalu, revelou que a empresa optou por não ativar o modo totalmente autônomo neste momento. "Não abrimos a autonomia agora", declarou Venkatarayalu, indicando que a adoção completa pode levar de dois a três anos, e a decisão final caberá aos clientes. A cautela da Honeywell reflete uma aposta estratégica: a plataforma pode operar de forma autônoma, mas a empresa prefere manter operadores humanos no controle, garantindo um sistema de supervisão antes de delegar o controle total. Essa lacuna entre a capacidade técnica e a implementação real é o cerne da proposta de valor da Forge Cognition.
Teste de Fogo na Voyager da Nvidia
O desenvolvimento da Forge Cognition foi impulsionado por um desafio lançado pela própria Nvidia. Durante a CES, a liderança da Nvidia questionou a Honeywell sobre seu "cliente farol" – um cliente real que comprovasse a eficácia da tecnologia. Em resposta, a Honeywell propôs que a própria Nvidia se tornasse esse cliente. O projeto resultou em um teste intensivo de 90 dias na sede da Nvidia, o edifício Voyager, com cerca de 70 mil metros quadrados. O objetivo era demonstrar resultados concretos em cinco alvos de desempenho, monitorando cerca de 900 equipamentos. A colaboração resultou em avanços notáveis, como a redução de até 90% em alertas desnecessários no sistema de gerenciamento predial e a identificação de potencial de economia de energia de cerca de 10%, através de uma análise mais detalhada do consumo por zona e horário.
IA como Co-piloto, Não Substituto
A Forge Cognition representa uma evolução do tradicional "ver e agir" da automação predial para um modelo de "pensar e aprender". Os agentes de IA, treinados com dados de instalações da Honeywell e documentos de engenharia, interpretam dados de sensores e são aprimorados pelo feedback dos operadores. Venkatarayalu vê a IA não como um substituto para os operadores humanos, mas como um "co-piloto" que auxilia e direciona, especialmente em um cenário de escassez de mão de obra qualificada. A capacidade de prever falhas em equipamentos, com peças que podem levar de seis a dezoito meses para chegar, é outro benefício crucial que permite um planejamento antecipado mais eficaz.
Um Novo Capítulo para a Honeywell
O lançamento da Forge Cognition ocorre em um momento crucial para a Honeywell, que concluiu sua transformação de conglomerado em uma empresa focada em automação. A cisão de seus negócios de materiais avançados e aeroespacial, concluída em 2026, deu origem a uma entidade mais enxuta, focada em mercados como edifícios, fábricas e plantas de processo. Com uma base instalada de 350.000 sites, a Honeywell vislumbra um vasto mercado para sua nova plataforma de IA, que se baseia em mais de um século de inovação, desde um regulador de forno patenteado em 1885. A empresa já está expandindo os testes para outros locais, incluindo o Fairmont Hotel em Dubai e o NEX Mall em Singapura, com o objetivo de refinar os modelos para diversas indústrias e, eventualmente, oferecer o modo autônomo quando a confiança e a precisão forem comprovadas.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Fortune





