O avanço da Inteligência Artificial (IA) promete revolucionar diversos setores, mas sua adoção em larga escala por grandes empresas enfrenta obstáculos significativos, especialmente quando se trata de sistemas legados. Hugo Serra, CEO do Grupo Catalana Occident (GCO) e Occident, em recente intervenção durante os encontros ‘Matins Esade’ em Barcelona, destacou a importância de uma abordagem cautelosa. Ele ressaltou que a infraestrutura tecnológica de muitas corporações estabelecidas, baseada em sistemas antigos e inflexíveis, pode dificultar a integração eficaz da IA.

Serra explicou que, embora a IA possa otimizar processos em áreas específicas, como a contratação de seguros de automóveis – um produto considerado commodity e que exige facilidade de acesso –, sua aplicabilidade universal em todos os produtos de seguro é limitada. Na detecção de riscos, a IA pode ser uma ferramenta útil, mas não deve ser vista como um fator decisivo para grandes seguradoras com portfólios extensos e estáveis, expostos a variáveis incontroláveis como clima e inflação.

A prioridade para o GCO, segundo Serra, é aumentar a eficiência sem repassar todo o custo ao consumidor, especialmente em um cenário inflacionário persistente. Os desafios para o setor de seguros são multifacetados, incluindo mudanças demográficas como o envelhecimento da população na Espanha, a incorporação de práticas de sustentabilidade e a própria evolução tecnológica impulsionada pela IA. O contexto macroeconômico, marcado por instabilidade geopolítica e aumento das taxas de juros, exige adaptação constante.

O CEO também enfatizou a crescente influência da climatologia no setor, antecipando eventos climáticos cada vez mais severos. Em relação à evolução do modelo de negócio do GCO, Serra mencionou a transição de um modelo puramente indenizatório para um de prestação de serviços, com planos de evoluir para um foco em prevenção de sinistros a longo prazo. A recente oferta pública de aquisição (OPA) que resultou na saída da empresa da bolsa foi celebrada por Serra como uma operação vantajosa para os acionistas, que venderam suas participações a um valor histórico, com uma taxa de aceitação de 98%.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España