A Humble Robotics anunciou a captação de US$ 51 milhões em uma nova rodada de investimentos, elevando seu financiamento total para US$ 75 milhões. A startup, sediada em São Francisco, quer repensar o conceito de caminhões autônomos com veículos elétricos e totalmente sem cabine, projetados desde o início para operar sem motoristas humanos.

A rodada foi liderada pela Obvious Ventures, com participação de investidores existentes como Eclipse e Energy Impact Partners. Fundada no ano passado, a empresa busca se diferenciar de concorrentes que adaptam caminhões convencionais para a autonomia. A visão da Humble é construir um sistema integrado, em que o design do veículo e a tecnologia de direção autônoma evoluam em conjunto.

A visão de Eyal Cohen

O fundador e CEO da Humble Robotics, Eyal Cohen, traz experiência acumulada em iniciativas notórias, como o projeto de carro autônomo da Apple (agora descontinuado), o programa de direção autônoma da Uber e a startup de caminhões autônomos Waabi. Essa trajetória o levou à convicção de que a abordagem mais promissora envolve criar um veículo do zero, em vez de modificar modelos existentes. A proposta da Humble é desenvolver, de forma unificada, o caminhão e seu sistema de direção autônoma, o que, segundo Cohen, confere vantagem competitiva.

A captação ocorre em meio a um ciclo robusto de investimento em robótica e inteligência artificial física. Ainda assim, o setor de caminhões autônomos expõe os desafios de operar máquinas em ambientes do mundo real. A Humble ainda não iniciou operações comerciais de transporte de carga. Os planos incluem começar pilotos com clientes no primeiro trimestre de 2027, utilizando caminhões convencionais para coleta de dados em rotas reais. Em seguida, esses dados alimentarão simulações antes da implantação do próprio veículo da empresa, o Humble Hauler.

O caminhão e o mercado

O Humble Hauler é concebido como uma plataforma elétrica sem cabine, descrita como um “enorme skate” capaz de transportar contêineres de 40 pés. Essa arquitetura visa otimizar espaço e eficiência para operações autônomas. Cohen projeta o início de operações comerciais no terceiro trimestre de 2027. Embora a empresa possua licença na Califórnia para testes com motorista de segurança, esses ensaios ocorrem em plataformas convencionais; para operar sem motorista ou em serviço comercial no estado, serão necessárias aprovações regulatórias adicionais.

O foco da Humble Robotics são rotas regionais — tipicamente inferiores a 400 quilômetros (250 milhas) — conectando portos, armazéns e centros de distribuição. Segundo dados federais de 2021, 87% das mercadorias transportadas por caminhão nos EUA, em peso, percorreram menos de 400 quilômetros. Essa concentração em trechos curtos e previsíveis é vista como ponto de entrada estratégico para a autonomia. A startup também mira um problema persistente do setor: a dificuldade de recrutar e reter motoristas qualificados.

Implicações e próximos passos

Cohen argumenta que caminhões autônomos podem assumir turnos e rotas repetitivas menos desejáveis, liberando motoristas humanos para tarefas de maior valor agregado. “Nossos caminhões podem fazer um turno das 2h às 6h que ninguém quer fazer”, afirmou. Embora muitos analistas tenham previsto que os caminhões autônomos superariam os robotáxis em adoção, o desafio de garantir segurança em alta velocidade e com veículos de grande porte segue complexo. Empresas como a Aurora e a Kodiak Robotics avançam com serviços comerciais, frequentemente combinando autonomia em rodovias com operação humana nas etapas iniciais e finais.

A Humble está testando seu protótipo em um espaço de P&D operado pela UC Berkeley. A equipe inclui ex-funcionários de empresas como Tesla, Waymo e Cruise, indicando um forte pool de talentos em engenharia autônoma. A ambição de longo prazo de Cohen é expandir para uma família de veículos autônomos, adaptados a diferentes tipos de carga e rotas. O desenvolvimento e a implantação de caminhões com designs disruptivos, como o da Humble, representam um passo relevante na evolução da logística e do transporte de mercadorias.

O futuro da Humble Robotics dependerá não apenas de superar desafios técnicos e regulatórios, mas também de comprovar a viabilidade econômica e operacional de seus caminhões sem cabine em um mercado competitivo. A forma como a empresa navegará pelas complexidades da infraestrutura logística e pela aceitação do setor será crucial para o sucesso dessa visão.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Business Insider