O novo governo da Hungria cancelou os planos para a construção de uma nova Galeria Nacional em Budapeste, um projeto de US$ 320 milhões com design do premiado escritório japonês SANAA. A decisão, reportada pelo The Art Newspaper, reverte um dos principais investimentos culturais da gestão anterior e coloca um ponto de interrogação sobre o futuro do acervo nacional do país.
O museu era uma peça central do desenvolvimento do Városliget City Park, um complexo que já abriga outras instituições culturais. Com o cancelamento, o terreno destinado ao prédio será transformado em parque público, mas a coleção de arte nacional permanece em sua atual locação, uma estrutura de castelo considerada "inviável a longo prazo".
O peso da caneta política
A interrupção do projeto ilustra a fragilidade de iniciativas de infraestrutura cultural diante de ciclos políticos. O design de SANAA previa uma estrutura de mais de 50 mil metros quadrados, um marco arquitetônico que agora corre o risco de se tornar apenas um projeto de papel. A decisão do novo governo não apenas freia a expansão, mas agrava um problema existente: a inadequação do espaço atual para abrigar o patrimônio artístico húngaro.
Embora o projeto enfrentasse alguma oposição de grupos ambientalistas, seu avanço foi efetivamente paralisado por uma decisão governamental em 18 de junho. O movimento sugere uma reorientação de prioridades, onde a agenda política imediata se sobrepõe ao planejamento de longo prazo que transcende mandatos.
Um design em busca de um lar
Com o cancelamento, o futuro é duplo e incerto: tanto para o acervo quanto para o projeto arquitetônico. Os apoiadores da iniciativa ainda esperam que o design de SANAA possa ser aproveitado em outra localidade, mas não há qualquer plano concreto para que isso aconteça. Por ora, o projeto está órfão.
Mais urgente, contudo, é o destino da coleção nacional. A falta de um plano alternativo para realocar as obras de arte deixa um vácuo no planejamento cultural do país. O episódio serve como um lembrete de como grandes projetos de capital cultural são, em essência, apostas políticas de alto risco, vulneráveis a mudanças de poder e de visão de mundo.
A decisão em Budapeste ecoa um debate global sobre o papel do Estado no fomento à cultura e a perenidade de seus investimentos. Enquanto a política redesenha o mapa da cidade, a questão que fica é onde, e como, a Hungria guardará sua própria história artística.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · ARTnews





