A inteligência artificial (IA) e a automação já não são mais um luxo, mas uma necessidade para a indústria. Segundo um estudo realizado pela IFS em parceria com o The Futurum Group, 58,5% das empresas industriais consultadas investem, no mínimo, US$ 10 milhões por ano em IA, IA agêntica e automação. A pesquisa, que ouviu 664 executivos na América do Norte e Europa, indica um movimento estratégico do setor em direção a tecnologias que prometem otimizar operações e impulsionar a transformação digital.

O investimento substancial reflete a percepção crescente da criticidade da IA para a competitividade. A faixa de investimento mais comum situa-se entre US$ 10 milhões e US$ 25 milhões anuais, concentrando 28% das organizações. Apenas 3,6% das empresas declaram investir menos de um milhão de dólares anualmente nessas tecnologias, evidenciando um compromisso financeiro significativo com a adoção de IA.

Tendência para Soluções Específicas

O relatório da IFS destaca uma evolução clara: as empresas industriais estão deixando de lado ferramentas de IA generalistas para buscar soluções cada vez mais especializadas e adaptadas aos seus setores de atuação. Em cinco das seis indústrias analisadas, mais de 60% dos respondentes consideram a IA específica para sua atividade como "muito importante" ou "crítica". A construção e engenharia lideram essa demanda, com 72,4% das empresas apontando a necessidade de IA setorial, seguidas por telecomunicações (69,5%) e transporte e logística (66,7%). Essa busca por especificidade sugere que os benefícios percebidos vão além da eficiência genérica, alcançando a otimização de processos complexos e únicos de cada segmento industrial.

Implementação e o Papel dos Trabalhadores Digitais

Quanto ao grau de implementação, o estudo revela que 63% das empresas já utilizam IA para auxiliar ou completar tarefas individuais. Um percentual menor, 22%, emprega fluxos de trabalho semiautônomos com supervisão humana limitada, enquanto 10% já operam com IA majoritariamente autônoma. Apenas 4% das organizações ainda não implementaram IA em suas operações. Uma tendência notável é a preferência pela aquisição de "trabalhadores digitais" — soluções de IA capazes de executar processos completos — em detrimento do desenvolvimento interno. Cerca de 63,2% dos entrevistados optam por adquirir essas soluções, contra 18,7% que preferem desenvolvê-las internamente. Essa escolha aponta para um desejo de agilidade e foco nos resultados, delegando o desenvolvimento tecnológico a especialistas.

Critérios de Escolha e Retorno do Investimento

Ao selecionar tecnologias de IA, as empresas industriais priorizam a integração com seus sistemas existentes (36%), a confiabilidade e precisão dos dados (34%) e a governança e auditabilidade (30%). "As empresas industriais estão buscando uma IA que conheça sua realidade e seja capaz de trabalhar sobre os processos que sustentam suas operações", afirmou Gonzalo Valle, diretor de Preventa de IFS Iberia. Essa demanda por IA contextualizada e funcional reforça a tendência de soluções setoriais. No que diz respeito ao retorno sobre o investimento (ROI), as expectativas são ambiciosas: 40% das organizações esperam recuperar o investimento em trabalhadores digitais em um prazo de 13 a 24 meses, e outros 32% preveem um retorno entre seis e doze meses. Esses prazos relativamente curtos indicam uma forte crença no impacto transformador e rápido que a IA pode trazer para as operações industriais.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España