A inteligência artificial (IA) já é uma realidade operacional para a vasta maioria das empresas. Segundo um levantamento global da McKinsey realizado em 2025, 88% das organizações entrevistadas utilizavam IA regularmente em pelo menos uma função de negócio, um aumento em relação aos 78% do ano anterior. Contudo, a adoção generalizada não se traduziu em um impacto profundo para todas. Apenas cerca de 6% das empresas estavam em um estágio de alto desempenho em IA, conseguindo associar a tecnologia a um impacto significativo e a pelo menos 5% do seu lucro antes de juros e impostos (EBIT). Essa disparidade evidencia que a simples implementação de IA difere substancialmente da transformação que ela pode proporcionar.
O Gasto com IA vs. O Valor Gerado
O verdadeiro potencial da IA se manifesta quando ela transcende a automação de tarefas rotineiras, que se traduz em redução de tempo e custo. O impacto mais relevante emerge quando a tecnologia permite um salto na produtividade por funcionário, aprimora taxas de conversão, minimiza perdas, expande a capacidade de atendimento sem um crescimento proporcional da estrutura e cria experiências de cliente antes consideradas complexas ou proibitivas. Por exemplo, uma área comercial pode empregar IA para resumir reuniões ou registrar dados no CRM, otimizando a produtividade individual. No entanto, o impacto estratégico no negócio se concretiza quando a IA analisa a jornada completa do cliente, integrando informações de CRM, histórico de atendimento e outros sistemas para guiar ações futuras. Isso pode acelerar o ciclo de vendas, evitar a perda de contexto em interações e aumentar o número de contas gerenciadas por profissional, maximizando a eficiência comercial.
Redesenho de Processos e Economia do Negócio
Historicamente, crescimento e expansão de estrutura andavam de mãos dadas. Para aumentar vendas, era preciso contratar mais vendedores; para melhor atendimento, mais pessoal. A IA começa a dissociar essa relação, possibilitando o crescimento da capacidade operacional sem o acompanhamento proporcional de custos e complexidade. Quando uma organização consegue aumentar o número de clientes atendidos por colaborador, reduzir o custo de servir cada cliente ou agilizar a resposta ao mercado, a IA deixa de ser uma mera ferramenta de produtividade para alterar a economia do negócio. Um relatório da Deloitte de 2026 indica que 37% das empresas utilizavam IA com pouca ou nenhuma mudança nos processos existentes. Outros 30% estavam redesenhando processos importantes em torno da tecnologia, e 34% já promoviam transformações mais profundas, alterando processos centrais, produtos, serviços ou modelos de negócio.
O Gargalo Organizacional e a Vantagem Sustentável
A transformação impulsionada pela IA exige uma preparação organizacional que muitas empresas ainda não realizaram. Uma pesquisa da Microsoft revelou que apenas 22% dos tomadores de decisão concordavam que suas organizações haviam documentado os principais processos e suas dependências de dados. Além disso, aproximadamente 80% enfrentavam dificuldades em compartilhar informações entre equipes de forma adequada para sistemas baseados em agentes. O gargalo, portanto, migra da tecnologia para a própria organização. Um agente de IA sofisticado, por exemplo, torna-se ineficaz se não tiver acesso aos dados necessários ou se as responsabilidades não estiverem claramente definidas. Isso sugere que o acesso a modelos avançados de IA dificilmente será uma vantagem competitiva sustentável. Empresas com capacidades tecnológicas similares podem obter resultados drasticamente diferentes, dependendo de sua capacidade de integrar informações fragmentadas e redesenhar seus modelos operacionais.
O verdadeiro impacto da IA, portanto, não está na sua adoção isolada, mas na capacidade das empresas de repensar e redesenhar seus processos, modelos de negócio e a própria economia de suas operações. A jornada da automação para a transformação estratégica é o próximo grande desafio para as organizações que buscam prosperar na era da inteligência artificial. A capacidade de conectar informações antes dispersas e agir sobre elas de forma inteligente definirá quem sairá à frente.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · TIInside





